O mercado imobiliário paraguaio ganhou um novo impulso em 2026 com o avanço da presença de investidores e moradores brasileiros. Apenas no primeiro semestre, 22.628 brasileiros receberam residência no Paraguai, quase o dobro dos 11.723 registrados no mesmo período de 2025. O grupo representou cerca de 76% das 29.765 residências concedidas pelo governo paraguaio nos seis primeiros meses do ano.
A chegada dos brasileiros ocorre em um momento de expansão do setor imobiliário do país. A estimativa é de que o mercado movimente US$ 3 bilhões em 2026, enquanto novos empreendimentos ampliam a oferta de imóveis residenciais, comerciais e destinados à locação.
O movimento chama atenção não apenas pelo aumento do número de brasileiros no país, mas também pela mudança no perfil da procura. O interesse passou a envolver diferentes objetivos, como moradia, geração de renda com aluguel e diversificação patrimonial.
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Assunção concentra investimentos
A capital paraguaia é um dos principais polos dessa expansão. Bairros como Villa Morra, Recoleta e Carmelitas reúnem empreendimentos de maior valor, com preços entre US$ 1.500 e US$ 2.500 por metro quadrado.
Ao mesmo tempo, o mercado imobiliário se espalha por outras cidades. Ciudad del Este, Encarnación, Luque, Mariano Roque Alonso e Hernandarias também aparecem entre os locais que recebem novos projetos e compradores.
Na região metropolitana de Assunção, condomínios passaram a atrair brasileiros interessados em estabelecer residência ou permanecer por períodos mais longos. Nas áreas próximas à fronteira, a integração econômica com o Brasil continua sendo um fator relevante para a demanda.
Imóveis partem de US$ 38 mil
A diversidade de produtos disponíveis ajuda a explicar a expansão do interesse brasileiro. Entre as opções estão studios a partir de US$ 38 mil, voltados principalmente para locação, além de apartamentos de alto padrão com mais de 250 metros quadrados.
O mercado também inclui loteamentos, galpões logísticos, condomínios industriais e imóveis comerciais, ampliando as possibilidades para quem procura alternativas além da compra de uma residência.
Outro fator apontado como facilitador é a possibilidade de estrangeiros comprar e registrar imóveis utilizando passaporte ou documento de identidade do país de origem, sem precisar ter residência permanente no Paraguai.
As operações envolvem transferência bancária internacional, e o processo de registro pode levar cerca de quatro meses.
Demanda interna também sustenta expansão
O crescimento do mercado imobiliário paraguaio não depende exclusivamente da chegada de compradores estrangeiros. O país também possui uma demanda habitacional significativa.
De acordo com dados do Censo Nacional de 2022, o Paraguai tinha um déficit habitacional de 1,117 milhão de moradias. Desse total, 108.678 correspondiam à necessidade de novas unidades, enquanto mais de 1 milhão de residências precisavam de melhorias estruturais.
Esse cenário amplia o espaço para novos projetos e ajuda a sustentar a expansão da construção residencial no país.
Brasileiros aumentam participação no setor
O avanço da presença brasileira também já aparece nos negócios imobiliários. Na Raíces Real Estate, a participação de clientes brasileiros cresceu mais de 75% nos últimos 12 meses, segundo o presidente da empresa, Ernesto Figueiredo.
O interesse deixou de estar restrito a brasileiros que vivem ou atuam em cidades fronteiriças e passou a alcançar investidores de outras regiões do país.
Em julho, representantes de conselhos regionais de corretores de imóveis também estiveram no Paraguai para conhecer empreendimentos, regras e oportunidades de negócios no mercado local.
Câmbio e liquidez exigem atenção
Apesar do crescimento, a compra de imóveis no Paraguai envolve fatores que precisam entrar na conta do investidor. Como parte das operações é realizada em dólar, a variação cambial entre real, dólar e guarani pode influenciar o resultado da aplicação.
Também devem ser considerados custos como condomínio, imposto imobiliário, escritura e registro. No caso de imóveis destinados à locação, existe ainda a tributação sobre a renda obtida.
A liquidez é outro ponto de atenção. Por se tratar de um mercado em expansão, a revenda de determinados imóveis pode levar mais tempo do que em mercados imobiliários mais consolidados.
Por isso, a análise do investimento envolve fatores como localização, histórico da incorporadora, demanda na região, custos de manutenção e possibilidade de revenda.
Mercado paraguaio ganha espaço no radar brasileiro
Com a previsão de movimentar US$ 3 bilhões em 2026, o mercado imobiliário paraguaio passa por um ciclo de expansão que coincide com o aumento da presença brasileira no país.
O salto de 11.723 para 22.628 brasileiros com residência concedida no primeiro semestre reforça a dimensão desse movimento. Para o setor imobiliário, o crescimento amplia o público potencial para empreendimentos residenciais, comerciais e voltados à geração de renda.
A combinação entre demanda habitacional interna, novos projetos e maior participação de compradores brasileiros coloca o Paraguai em evidência entre os mercados imobiliários que vêm atraindo capital estrangeiro na região.
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