A importação ilegal de canetas emagrecedoras à base de tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — fabricadas no Paraguai deve movimentar R$ 6,5 bilhões em vendas no Brasil este ano, estima o Itaú BBA com base em informações obtidas junto a companhias do setor farmacêutico.
Juntamente com os produtos feitos em farmácias de manipulação — segmento sobre o qual a Anvisa tem ampliado a fiscalização para coibir irregularidades —, o “Mounjaro do Paraguai” encabeça um mercado paralelo estimado neste ano em R$ 18,9 bilhões pelo banco. A cifra é 60% maior que as vendas do Mounjaro original no país.
Embora a tirzepatida seja produzida legalmente no Paraguai, a Anvisa proíbe a venda de marcas paraguaias no território nacional. Mesmo assim, o Itaú BBA estima que 3,1 milhões de caixas de produtos paraguaios tenham sido direcionadas ao Brasil nos últimos 12 meses, o equivalente a cerca de 90% da produção total do país vizinho.
O banco também chamou a atenção para a velocidade de crescimento desse mercado ilegal. O relatório estima que, nos últimos 12 meses, o “Mounjaro do Paraguai” movimentou R$ 2,5 bilhões em vendas no Brasil. Ou seja: a demanda deve crescer 160% até o fim do ano.
De acordo com os cálculos do Itaú BBA, o mercado “não monitorado” de canetas emagrecedoras — formado por farmácias de manipulação e produtos contrabandeados — deve crescer 38% até 2030 e alcançar R$ 26,2 bilhões.
O “copo cheio” é que o mercado formal vai crescer mais rapidamente, superando o segmento “cinza” já no ano que vem e chegando a R$ 34,9 bilhões naquele ano, contra R$ 23,5 bilhões previstos para 2026. A entrada de novos medicamentos nacionais similares deve impulsionar essa demanda.
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