Morreu a poetisa e jornalista são-tomense Conceição Lima | São Tomé e Príncipe

A jornalista e poetisa são-tomense Conceição Deus Lima morreu nesta sexta-feira, em São Tomé, aos 64 anos, disseram à Lusa fontes da família. Segundo os familiares, a poetisa são-tomense, nascida a 8 de Dezembro de 1961, sentiu-se mal logo pela manhã e foi encaminhada ao Hospital Central Dr. Ayres de Menezes, onde acabou por morrer por volta das 7h (6h em Lisboa).

Conceição Lima é o nome mais traduzido da literatura são-tomense, com livros e poemas em alemão, árabe, espanhol, checo, francês, galego, italiano, inglês, shona, servo-croata e turco.

A poetisa foi membro-fundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses (UNEAS) e, em 2021, foi nomeada coordenadora nacional, para São Tomé e Príncipe, do Movimento Poético Mundial.

No ano passado, durante a celebração do Dia da Mulher São-tomense, que se assinala a 19 de Setembro — efeméride que evoca a histórica manifestação de um grupo de mulheres, em 1974, que saiu às ruas da capital do país pela independência nacional do arquipélago —, Conceição de Deus Lima foi distinguida pelo Governo como embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe em reconhecimento pelo seu papel na valorização e promoção da identidade cultural do país no plano internacional.

“São Tomé e Príncipe orgulha-se de ter entre os seus uma cidadã de tamanha dimensão, que é concomitantemente uma jornalista de prestígio internacional e intransigente defensora do bem comum, dos direitos, liberdades e garantias fundamentais, em particular no domínio dos direitos da infância e adolescência, da igualdade do género e no empoderamento das mulheres, bem como da protecção do património histórico, da conservação da natureza e da salvaguarda dos ecossistemas e da biodiversidade”, referiu o executivo são-tomense, no documento de nomeação.

Na ocasião, Conceição de Deus Lima exortou “os decisores e decisoras a assumirem a promoção e preservação da identidade cultural são-tomense, a transmissão dos valores identitários para as novas e futuras gerações, como um imperativo sistematizado para o autoconhecimento”.

Maria da Conceição Costa de Deus Lima nasceu no Sul da ilha de São Tomé, em Santana, onde cresceu e fez os estudos primários e secundários, tendo estudado jornalismo em Portugal. De regresso a São Tomé e Príncipe, trabalhou e exerceu cargos de direcção na rádio, televisão e na imprensa escrita. Depois da abertura multipartidária no arquipélago, fundou, em 1993, o já extinto semanário independente O País Hoje, de que foi directora.

Era licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres e mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS), de Londres, onde residiu e trabalhou como jornalista e produtora dos serviços de Língua Portuguesa da BBC.

Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países. Publicou O Útero da Casa (2004), A Dolorosa Raiz do Micondó (2006), O País de Akendenguê (2011), Quando Florirem Salambás no Tecto do Pico (2015) ou O Mundo Visto do Meio (2023)​.

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