Mano aposta em altitude e “mentalidade gaúcha” para levar Peru à Copa e critica ambiente no RS: “Muito instável”
Ex-treinador de Grêmio e Inter e atualmente comandando a seleção do Peru, Mano Menezes pretende recolocar o país sul-americano em uma Copa do Mundo. Em entrevista à Rádio Gaúcha que foi ao ar neste sábado (9), o técnico revelou detalhes do projeto e explicou que a federação peruana iniciou antecipadamente um planejamento visando 2030.
Desde março em Lima, o treinador de 63 anos já comandou amistosos contra Senegal e Honduras e percorre o país em busca de jogadores para formar uma seleção mais competitiva — nas eliminatórias de 2026, ficou três posições abaixo da vaga direta. Além disso, ele falou sobre o volante peruano Noriega, do Grêmio, e criticou a instabilidade do futebol gaúcho.
Experiência e projeto desafiador
— É um desafio bastante grande. O convite teve origem como objetivo de construir um novo trabalho. Entenderam que meu nome atendia a esse perfil de reconstrução, assim como foi na Seleção Brasileira, entre 2010 e 2012. O objetivo era iniciar antecipadamente um projeto visando a Copa de 2030 — disse Mano Menezes.
— Queremos construir algo mais duradouro para não ser só um momento especial, porque nos últimos 30 anos o Peru só foi a Copa do Mundo uma vez, que foi a Copa da Rússia — completou.
O treinador afirmou que a comissão técnica percorre o país para observar jogadores e entender melhor as características do futebol local. Uma das prioridades é melhorar o nível físico da equipe, algo que, segundo ele, ficou abaixo dos adversários na última campanha eliminatória.
— Queremos encontrar novos jogadores. Depois, num segundo momento, quando começar as Eliminatórias, mesclar com a experiência de alguns jogadores, mas já com uma juventude que traga aí uma esperança para chegar no Mundial.
Ele também revelou que o projeto inclui integração com as categorias de base. Seu auxiliar na época de Grêmio, Thiago Kozlowski, comanda o sub-20 do Peru, visando um “novo perfil” para a seleção.
Altitude como aliada
Mano revelou que o Peru estuda utilizar cidades de altitude elevada para mandar algumas partidas das próximas Eliminatórias. Com cerca de 3,3 mil metros acima do nível do mar, Cusco já aparece entre as possibilidades, mas Puno — 400 metros acima de Cusco — também entrou no radar.
— Vamos mandar os jogos em Lima, mas também em outras cidades em níveis mais altos do mar. Em situação de igualdade em todos os jogos, o Peru tem levado uma desvantagem em algumas partidas significativas. Então temos que estudar a possibilidade de fazer alguma coisa diferente — destacou Mano.
“Mentalidade gaúcha” no Peru
Ao analisar o cenário do futebol peruano, Mano afirmou que pretende implementar uma cultura mais competitiva no país. O treinador citou diretamente o “viés competitivo gaúcho” como referência para a formação da nova seleção:
— Todo mundo aqui fala que é necessário mudar a mentalidade do jogador peruano, então vamos trazer esse nosso viés competitivo do gaúcho aí, que não se entrega nunca, que luta por tudo, para misturar com a qualidade técnica que temos nos jogadores peruanos pra que a gente possa ter uma seleção muito forte.
Adaptado à vida em Lima, Mano Menezes disse que encontrou um povo “acolhedor” e garantiu estar motivado pelo desafio internacional.
Volante ou zagueiro?
Treinado por Mano no Grêmio, o peruano Noriega também entrou na pauta da entrevista. O técnico explicou que a contratação do jogador inicialmente tinha como objetivo reforçar o meio-campo gremista. Porém, as lesões no setor defensivo o fizeram ser utilizado como zagueiro.
Mano afirmou que o jogador respondeu bem nas duas funções e acredita que ele pode atuar tanto como volante quanto na defesa:
— Nós queríamos levar um volante de mais contenção para fazer a primeira função. Só que precisamos adaptá-lo. Acho que ele tem capacidade para fazer bem as duas funções — explicou.
Recado para o futebol gaúcho
Na reta final da entrevista, Mano fez uma análise do atual cenário do futebol no Rio Grande do Sul e apontou a instabilidade como principal problema de Grêmio e Inter nos últimos anos:
— Eu penso que o ambiente que se estabeleceu no futebol gaúcho é muito instável. A gente é crítico demais e troca muito no Rio Grande do Sul. Há muito tempo se recomeça. Toda vez que você recomeça, perde três, quatro meses para estruturar um trabalho.
Mano ainda afirmou que o RS sempre conviveu com desvantagem financeira em relação aos clubes do centro do país, mas historicamente compensava isso com continuidade e competitividade:
— A gente está andando em volta em círculos há bastante tempo. Pra mim, isso é o principal motivo pelo qual a gente está demorando para retomar o lugar que o futebol gaúcho sempre ocupou no cenário nacional. Mesmo com menos poder financeiro, conseguíamos bater de frente com times como Flamengo, São Paulo, Corinthians e Palmeiras.
Quer mais notícias e vídeos da dupla Gre-Nal, de futebol pelo mundo e de outras modalidades? Siga @EsportesGZH no Instagram e no TikTok 📲
Crédito: Link de origem