Macau quer profissionais lusófonos em saúde, tecnologia, finanças e eventos


O chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, realizou a sua primeira visita oficial a Portugal de 17 a 21 de abril, com uma delegação de 120 empresários e membros do Governo.


Durante a visita, o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), Kong Chi Meng, encontrou-se com a direção da Universidade de Lisboa, onde sublinhou a necessidade de quadros qualificados em setores emergentes como saúde, tecnologia de ponta, finanças modernas e convenções e exposições, de acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira à noite pelo Gabinete de Comunicação Social.


A instituição de ensino portuguesa manifestou interesse em reforçar a cooperação académica e científica com Macau, através de programas conjuntos de investigação e formação.


Os representantes da CDQQ reuniram-se também com a Câmara de Comércio Portugal-China PME (CCPC-PME), presidida por Y Ping Chow, e com representantes de empresas portuguesas dos setores da medicina tradicional chinesa, turismo e outros.


Durante a reunião, Kong Chi Meng apresentou as políticas do território para a captação de quadros qualificados, destacando a terceira edição dos programas de recrutamento, que introduzem critérios específicos para candidatos lusófonos.


O plano de atração de talentos de Macau, lançado em 2023, foca-se na captação de quadros qualificados, incluindo lusófonos, para setores financeiros, tecnológicos e científicos, oferecendo benefícios fiscais e facilidades de residência.


O programa já recebeu mais de duas mil candidaturas, com cerca de 900 já aprovadas. A terceira fase do programa, que começou em dezembro e decorre durante um ano, atraiu quase 300 candidaturas.


Entre as medidas estão a valorização da proficiência em português, o reconhecimento de diplomas das principais universidades dos países de língua portuguesa e a inclusão de prémios e títulos internacionalmente reconhecidos.


Este programa tornou-se a única alternativa para os cidadãos portugueses obterem o bilhete de identidade de residente no território através de trabalho.


Macau não aceita desde agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território.


Segundo o comunicado, a CDQQ e a câmara de comércio acordaram em promover em Portugal as políticas de captação de talentos de Macau, funcionando como “cabeça de ponte” para atrair profissionais e empresas lusófonas para Macau, ao mesmo tempo que apoiam a entrada de empresas do território chinês e do Interior da China no mercado português.


Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-Geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.


Durante a sua visita a Portugal, Sam Hou Fai reuniu-se com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro.


As conversações bilaterais abrangeram temas de vários domínios, nomeadamente comércio, economia, turismo, construção de sistemas jurídicos, formação de empresários e talentos de Macau e de Portugal, assistência judiciária, serviços financeiros e inovação tecnológica.


 

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