Nas demonstrações financeiras intercalares, a que a Lusa teve hoje acesso, o Banco Internacional de Moçambique (BIM), um dos dois bancos sistémicos do país, reporta um resultado líquido que compara com os 1.668,8 milhões de meticais (22,5 milhões de euros) nos primeiros seis meses do ano passado.
Apesar da redução dos lucros, o banco continuou a expandir a atividade, com o ativo total a crescer 12,1%, de 200.877 milhões de meticais (2.708 milhões de euros) no final de 2025 para 225.166 milhões de meticais (3.036 milhões de euros) em junho deste ano.
Os depósitos de clientes aumentaram 12,2% no semestre, de 160.935 milhões de meticais (2.169 milhões de euros) para 180.611 milhões de meticais (2.434 milhões de euros), enquanto o crédito a clientes cresceu 0,9%, de 49.288 milhões de meticais (664 milhões de euros) para 49.748 milhões de meticais (670 milhões de euros).
Os capitais próprios subiram 1,5%, para 35.145 milhões de meticais (473 milhões de euros), enquanto o passivo total aumentou 14,3%, para 190.021 milhões de meticais (2.560 milhões de euros).
Os lucros do Millennium BIM já tinham recuado fortemente em 2025, para 201 milhões de meticais (2,7 milhões de euros), impactados pela exposição à dívida pública, segundo o relatório e contas.
O Millennium BIM tinha apresentado lucros de 3.309 milhões de meticais (44,6 milhões de euros) em 2024 e no documento, noticiado em maio pela Lusa, a administração do banco, com quase 2,3 milhões de clientes, referia que teve de constituir 5.900 milhões de meticais (79,5 milhões de euros) “em imparidades à divida pública” moçambicana.
Apontava, nomeadamente, os efeitos do corte do rating da dívida soberana de Moçambique, o que implicou “o reconhecimento de imparidades adicionais associadas à dívida pública, com impactos relevantes na evolução dos resultados” do banco.
A forte queda nos lucros em 2025, que sucede ao recuo de 54% em 2024 face ao resultado líquido do exercício de 2023, quando atingiu os 7.211 milhões de meticais (97,2 milhões de euros), é ainda explicada pelo “aumento da imparidade de crédito”, em resultado “da maior probabilidade de incumprimento por parte de determinados segmentos de clientes”, influenciado “tanto pelo contexto macroeconómico adverso como pela reavaliação dos modelos internos de risco”.
O banco decidiu aplicar os lucros de 2025 em reservas, livres e legais, sem distribuição de dividendos, tal como em 2024.
O BIM iniciou atividade em outubro de 1995, em resultado de uma parceria estratégica entre o Banco Comercial Português (Millennium BCP) e o Estado Moçambicano, tendo fechado 2025 com 2.678 trabalhadores.
À data de 31 de dezembro de 2025, contava um capital social de 4.500 milhões de meticais (60,6 milhões de euros), a maioria detido pelo BCP África (grupo Millennium BCP), com uma participação de 66,69%, seguindo-se o Estado de Moçambique (17,12%), o Instituto Nacional de Segurança Social moçambicano (4,95%) e a Empresa Moçambicana de Seguros (4,15%), entre outros acionistas.
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