Cimeira Extraordinária da União Africana termina em Luanda com apelo a medidas concretas para a prevenção de conflitos.
Anastácio Sasembele – Luanda
Ao fim da tarde deste domingo, 30 de agosto, terminaram, em Luanda, os trabalhos da Cimeira Extraordinária da União Africana, dedicada ao Reforço dos Mecanismos de Prevenção e Resolução dos Conflitos em África.
A reunião de alto nível, uma iniciativa de Angola, foi dirigida pelo Presidente em exercício da União Africana, Évariste Ndayishimiye, Chefe de Estado do Burundi, e contou com dois momentos essenciais: a reunião ministerial de preparação, realizada no sábado, 29, e o encontro de líderes, que congregou Chefes de Estado e de Governo ou seus representantes, no domingo, 30.
No final dos trabalhos, o Presidente em exercício da União Africana, Évariste Ndayishimiye, lembrou que a Cimeira foi realizada num contexto marcado por desafios de segurança complexos, conflitos armados, terrorismo, extremismo violento, crises políticas, mudanças inconstitucionais de governos, deslocamentos forçados, ameaças cibernéticas, desinformação e rivalidades geopolíticas.
Ndayishimiye reafirmou a necessidade de África reforçar a sua capacidade de prevenir os conflitos e resolvê-los por vias pacíficas, bem como de financiar as suas prioridades de paz e segurança.
Évariste Ndayishimiye sublinhou também que as promessas de Luanda não devem limitar-se a meras declarações, mas devem traduzir-se em resultados concretos.
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, ao intervir na Sessão Extraordinária da União Africana, dedicada ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos em África, defendeu a adoção de medidas concretas para tornar mais eficazes os instrumentos de prevenção e resolução de conflitos disponíveis no continente africano.
O Presidente João Lourenço, anfitrião da Cimeira da União Africana dedicada à prevenção e resolução dos conflitos, organizada por sua iniciativa, em resultado da sua atuação enquanto campeão para a paz e reconciliação em África, deixou claro que a paz é uma condição essencial para a realização da Agenda 2063, sobre a África que queremos, e que cabe aos líderes atuais deixarem um legado de paz e prosperidade.
Os participantes da Cimeira da União Africana, que a capital angolana acolheu, manifestaram expectativas de bons resultados no domínio da mediação e resolução dos conflitos que assolam o continente africano.
É o caso do Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino de Marrocos, Nasser Bourita, que disse estar confiante de que a reunião de Luanda trará bons resultados.
Por sua vez, o representante da delegação do Sudão do Sul, país que também sofreu uma longa guerra civil a partir de 2013, Riek Riek, felicitou Angola pela realização da Cimeira da União Africana.
Angola, recorde-se, é uma referência em matéria de paz e prevenção de conflitos no continente africano, tendo desenvolvido atuações consideradas bem-sucedidas na região dos Grandes Lagos.
Entre os exemplos, destaca-se o conflito interno na República Centro-Africana, onde Angola promoveu a aprovação do Roteiro para a Paz na RCA, em 2021; a normalização das relações entre o Ruanda e o Uganda, em 2020, que permitiu a reabertura da fronteira de Gatuna-Katuna; e, no leste da República Democrática do Congo, a aprovação do Processo de Luanda, que visa contribuir para a normalização das relações entre a RDC e o Ruanda.
Angola tem igualmente mantido uma presença marcante nos esforços de paz e segurança no norte de Moçambique, no Lesoto e no Sudão.
A Cimeira de Luanda juntou no país os Presidentes do Burundi, Évariste Ndayishimiye; de Cabo Verde, José Maria Neves; do Gana, John Dramani Mahama; da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah; da República Árabe Saaraui Democrática, Brahim Ghali; e do Lesoto, Samuel Matekane.
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