O papa Leão XIV defendeu esta terça-feira (21 de abril) que a “exclusão é o novo rosto da injustiça social”, lamentou que “a proliferação dos conflitos armados seja muitas vezes guiada pela exploração do petróleo e dos minerais” e insistiu que o nome de Deus “nunca deve ser invocado para justificar escolhas e ações de morte”.
Leão XIV está em Malabo, na Guiné-Equatorial, último destino da sua primeira viagem apostólica pelo continente africano, que o levou ao Senegal, Camarões e Angola.
O papa chegou à Guiné-Equatorial depois de ter denunciado o autoritarismo ou a desigualdade noutras intervenções públicas, reunindo com o presidente Teodoro Obiang, o líder há mais tempo no poder em África.
Obiang já estava há três anos à frente dos destinos deste país, o único no continente que tem o espanhol como língua oficial, quando o papa João Paulo II o visitou em 1982.
“Durante a sua visita a este país, o santo João Paulo II descreveu-o, senhor presidente, como o centro simbólico para o qual convergem as aspirações vivas de um povo para o estabelecimento de um clima social de autêntica liberdade, justiça, respeito e promoção dos direitos de cada pessoa”, lembrou Leão XIV, dizendo que essas palavras “continuam atuais e desafiam qualquer pessoa a quem foi confiada a responsabilidade pública”.
Exclusão e desigualdade
Na sua mensagem em espanhol, Leão XIV disse que a “exclusão é o novo rosto da desigualdade social”, lamentando que “a distância entre uma pequena minoria, 1% da população, e a esmagadora maioria” tenha aumentado “drasticamente”.
E depois falou do “paradoxo” que existe: “A falta de terra, de alimentos, de habitação e de trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias“, afirmou, lembrando que “os telemóveis, as redes sociais e até a inteligência artificial estão nos bolsos de milhões de pessoas, incluindo os pobres”.
O papa apelou então a “desmantelar os obstáculos ao desenvolvimento humano integral”.
Leão XIV lembrou ainda que “não se pode ignorar que a rápida evolução tecnológica a que estamos a assistir acelerou a especulação em relação às matérias-primas”, o que põe em causa a “salvaguarda da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública”.
Leão XIV lembrou depois as palavras do papa Francisco, que morreu há precisamente um ano: “Não a uma economia de exclusão e desigualdade”, afirmou, lembrando que “tal economia mata”.
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