Keiko Fujimori é a nova presidente eleita do Peru. A vitória da candidata de direita e filha do ex-ditador peruano Alberto Fujimori foi ratificada pelo Jurado Nacional Eleitoral, órgão máximo das eleições no país, nesta sexta-feira, numa cerimônia de proclamação.
Fujimori teve 9.223.396 de votos, ou 50,135%; contra 9.173.755 de votos do concorrente, o deputado de esquerda Roberto Sánchez, que teve 49,865% dos votos.
Durante o evento para o anúncio, o órgão informou que considera improcedente um pedido do partido de Sánchez para impugnação das urnas no exterior — ele teria a maioria dos votos caso só fossem contados os registrados no território peruano. O deputado já indicou que não aceitaria os resultados e disse que protestaria na Corte Internacional de Direitos Humanos.
Nas redes sociais, a presidente eleita agradeceu a confiança que milhões de peruanos depositaram nela e disse que vai assumir o cargo com responsabilidade, humildade e senso de dever.
Para a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo Regiane Bressan, a pequena diferença de votos entre os candidatos pode representar um problema: a manutenção do cenário político polarizado no Peru.
“Essa eleição carece de um consenso nacional. O resultado representa persistência de um país polarizado, que está enfrentando uma instabilidade política há pelo menos dez anos e teme, claro, uma guinada à esquerda, mas também deseja estabilidade política. Lembrando que o nome de Fujimori remete ao governo autoritário de Alberto Fujimori dos anos 90, o que também ocasiona repulsão a entre as forças democráticas e progressistas.”
O cenário de instabilidade política mencionado por ela é simbolizado pela troca de presidentes. Foram oito diferentes nos últimos oito anos.
Keiko Fujimori deve assumir o cargo em 28 de julho para um mandato de cinco anos. Ela enfrentará problemas como o aumento da criminalidade e grandes desafios sociais. Também deverá negociar com um Legislativo dividido de forma significativa entre esquerda e direita.
Keiko, de 51 anos, tinha sido derrotada em três eleições presidenciais. Ela está na política desde a adolescência, é formada em administração de empresas e foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano.
A presidente eleita também passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha. Entre 2018 e 2020, ela chegou a passar um ano e meio em prisão preventiva. O caso foi arquivado.
A nova líder promete medidas de segurança rígidas, leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate à violência.
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