Numa conferência de imprensa realizada hoje, o partido Juntos pelo Peru, liderado pelo candidato Roberto Sánchez, alertou a população para as graves irregularidades que o processo eleitoral apresenta e para o fato de não terem «preservado o voto no estrangeiro». Enquanto a contagem dos votos se mantém nos 99,4% e a candidata Keiko Fujimori continua na liderança no que diz respeito aos votos no estrangeiro, este processo apresenta irregularidades que devem ser do conhecimento da população, investigadas e explicadas pelas autoridades competentes.
Alterações no segundo turno
O advogado do «Juntos pelo Peru», Roy Mendoza, questionou o fato de «sete dias antes da eleição ter sido ordenado aos cônsules no estrangeiro que não digitalizassem nem escaneassem as atas».
Além disso, «o que levou a que, em vários países, as atas fossem retidas? Por exemplo, no caso de Buenos Aires, onde apresentamos um recurso de anulação relativo a 294 mesas de votação. Buenos Aires, a 4 horas de Lima, com 9 voos diários — por que razão as atas foram retidas até às 22h?», afirmou.
Além disso, a ONPE aprovou de forma irregular, para o segunda turno, que o material físico fosse enviado em mala diplomática «e outros meios», o que permitiu que o material eleitoral fosse transportado sem as medidas de segurança estipuladas pela Convenção de Viena, que exige inviolabilidade, conteúdo restrito e garantia de transparência para o transporte dos votos, com a correta selagem e lacração das malas diplomáticas.
As alterações ao processo incluem também «que os funcionários consulares façam parte das mesas de voto, caso os membros das mesas abandonem as suas funções».
«Portanto, para nós, isto constitui graves irregularidades e justifica o nosso recurso de nulidade. Por isso, vamos enfrentar, a partir de amanhã, as audiências que não só foram agendadas pelo Júri Nacional de Eleições (JNE), no âmbito dos recursos de nulidade, mas também relativamente às atas contestadas», salientou Mendoza.
O voto no estrangeiro não foi preservado
Por seu lado, o advogado Marco Zevallos indicou que «o que estamos questionando não é o direito dos peruanos e das peruanas de exercerem o seu voto fora do país; o que questionamos é que as autoridades — o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a ONPE, os consulados —, que tinham a obrigação de garantir que esse voto fosse preservado, não tenham cumprido a sua responsabilidade e não se deve esquecer que o Ministério dos Negócios Estrangeiros faz parte do governo parlamentar, que sabemos ser dirigido pela senhora K».
«A ONPE informou-nos que, a pedido do Ministério dos Negócios Estrangeiros, uma semana antes do segundo turno, determinou que nenhuma ata fosse digitalizada. Será legítimo que tenhamos sérias dúvidas relativamente a toda a votação que ocorreu fora do país? Tendo em conta que essa disposição da ONPE se limitava apenas à votação dos peruanos no estrangeiro. É legítimo que existam dúvidas», afirmou o membro da equipe jurídica.
Defesa do voto popular
Na conferência de imprensa estiveram também presentes Luzmila Ayay, tesoureira do «Juntos pelo Peru», Analí Márquez, candidata à primeira vice-presidência, e Brigida Curo, candidata à segunda vice-presidência.
Luzmila Ayay explicou o destino das contribuições solidárias que o partido recebeu da população, para apresentar recursos de nulidade das mesas de voto. Graças às contribuições solidárias, «foi possível sustentar a defesa do voto popular, através da apresentação de recursos de apelação relacionados com pedidos de anulação de mesas de votação na Área Metropolitana de Lima e nos Estados Unidos, tendo-se conseguido que fosse aceito o primeiro recurso de apelação para a anulação de 1.751 mesas em Lima».
Ayay salientou: «O montante total angariado ascende a $787.599,00, recursos que permitiram a aquisição de 744 taxas, para sustentar os recursos apresentados em defesa da vontade popular». As contas bancárias e a carteira digital Yape utilizadas para a campanha de angariação de fundos serão colocadas à disposição da ONPE e serão encerradas com intervenção notarial.
Marcha pacífica esta sexta-feira, dia 19
Por seu lado, o candidato presidencial da coligação «Juntos pelo Peru», Roberto Sánchez, afirmou: «Alterar as regras do jogo, flexibilizando a cadeia de custódia, com o atraso excessivo no transporte, alegadamente nem em malas diplomáticas nem consulares, mas sim como qualquer carga consolidada. Exigimos respeito e transparência, porque este processo ainda não terminou».
Além disso, anunciou que «nesta sexta-feira, haverá uma jornada de protesto, que exige justiça eleitoral, transparência e o reconhecimento da vitória do povo. Isto não acaba aqui; tentaram ignorar, no devido processo legal, os recursos de impugnação que acabaram por ser admitidos, e nos próximos dias terão lugar várias audiências relativas a estas ações», concluiu.
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