Jornalistas detidos na Guiné-Bissau já em liberdade – Observador

Os dois jornalistas da Rádio Capital FM, da Guiné-Bissau, Sulai Seide e Nelson António da Silva, detidos pela polícia, foram libertados após intervenções de várias entidades, noticiaram órgãos de comunicação social locais.

A estação de rádio a que pertencem os dois jornalistas e outros veículos de comunicação anunciaram nas redes sociais, consultadas pela Lusa, que Sulai Seide e Nelson da Silva já se encontram em liberdade.

As mesmas fontes assinalam que a libertação foi possível graças às intervenções da direção da Capital FM e do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social da Guiné-Bissau (Sinjotecs), junto do Ministério do Interior.

Os dois profissionais passaram a noite de domingo detidos na 2.ª Esquadra da Polícia de Ordem Pública, em Bissau.

A direção da rádio Capital FM agradeceu a “solidariedade, o repúdio generalizado e as diligências encetadas” por várias entidades durante o período em que os seus funcionários estiveram privados de liberdade.

Em comunicado também difundido nas redes sociais, o movimento Firkidja de Púbis assinalou que Sulai Seide foi detido “sob alegações infundadas” de ter fotografado a baixa afluência às urnas durante o referendo constitucional e de ter apelado ao seu boicote e Nelson António da Silva teria sido “sequestrado após uma discussão” numa assembleia de voto, onde assistia à contagem de votos.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Idriça Djaló, anunciou no domingo uma participação acima de 50% de eleitores votantes no referendo à Constituição proposto por militares e segundo a oposição e organizações da sociedade civil, que tinham apelado ao boicote da votação, o processo saldou-se por uma forte abstenção.

O Ministério do Interior, também através de comunicado consultado pela Lusa nos órgãos de comunicação social locais, esclareceu que Sulai Seide foi conduzido à esquadra para prestar declarações após um desentendimento numa mesa de voto.

“O Ministério do Interior e da Ordem Pública rejeita as informações que davam conta de um alegado rapto do jornalista, classificando-as como falsas e sem correspondência com os factos”, lê-se na página da Rádio TV Bantaba.

O Ministério declarou que “o incidente ocorreu durante o processo de contagem dos votos, na sequência de uma discussão entre o jornalista e o presidente da Mesa de Assembleia de Voto, relacionada com a validade de um voto considerado nulo”.

O porta-voz da CNE, Idriça Djaló, anunciou no domingo uma participação acima de 50% de eleitores votantes no referendo à Constituição proposto por militares e segundo a oposição e organizações da sociedade civil, que tinham apelado ao boicote da votação.

Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastaram do poder o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, avançando com uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.

A oposição considerou que se tratou de um “golpe de Estado cerimonial” para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de dezembro.


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