Janine Lélis, ex-ministra de Estado e da Defesa de Cabo Verde pelo Movimento para a Democracia (MpD, oposição), anunciou esta sexta-feira a retirada da candidatura às eleições presidenciais de novembro, justificando a decisão com alterações do quadro político, institucional e partidário.
“Após o anúncio da minha candidatura, o quadro das eleições presidenciais [em 15 de novembro] evoluiu de forma significativa. Foram surgindo outras candidaturas, o que é positivo. O quadro político também mudou substancialmente. Há tensões institucionais e no interior dos partidos e uma crescente polarização do debate público, com reflexos na atitude do eleitorado”, afirmou, num documento divulgado à imprensa.
“Perante estes constrangimentos de natureza política, institucional e partidária, que alteraram de forma significativa as condições para uma participação presidencial nos termos que considero adequados, decidi não prosseguir na disputa das próximas eleições para Presidente da República”, acrescentou.
A deputada explicou que a sua disponibilidade inicial, manifestada há cerca de dois meses, surgiu da convicção de que uma eleição presidencial “deve oferecer aos cidadãos uma escolha efetiva entre diferentes perfis, percursos e visões” sobre o exercício do cargo.
À data do anúncio, em junho, “tudo levava a crer que iria repetir-se o padrão de não se ter candidato com suporte político alargado para enfrentar o Presidente da República incumbente”, recordou.
Janine Lélis referiu que a sua decisão de se disponibilizar para a corrida presidencial assentava num percurso político de mais de 20 anos – com experiência no poder local, como deputada e ao longo de uma década à frente de várias pastas ministeriais – para garantir que os cidadãos pudessem avaliar o exercício do cargo e pronunciar-se sobre “quem deve garantir o regular funcionamento das instituições” e cumprir a Constituição.
Apesar da desistência da corrida, a ex-governante assegurou que o seu compromisso com o país permanece inalterado.
“Num momento da vida do país que se apresenta particularmente exigente, continuarei a servir os cabo-verdianos no exercício do meu mandato como deputada da Nação, a defender a democracia e o Estado de Direito, o regular funcionamento das instituições e os valores constitucionais”, garantiu.
Janine Lélis, 52 anos, advogada, foi deputada municipal na ilha do Sal em 2004 e deputada nacional durante 10 anos, antes de integrar governos do MpD, nos quais assumiu as pastas da Justiça, Trabalho, Defesa, Coesão Territorial, Assuntos Parlamentares e Conselho de Ministros.
As candidaturas às eleições presidenciais devem ser entregues no Tribunal Constitucional até 16 de setembro, 60 dias antes da votação marcada para 15 de novembro, segundo o calendário eleitoral divulgado pela Comissão Nacional de Eleições.
O atual Presidente da República, José Maria Neves, foi eleito a 9 de novembro de 2021 para um mandato de cinco anos.
Nas últimas eleições presidenciais, realizadas em 17 de outubro daquele ano, Neves venceu à primeira volta com 51,7% dos votos, contra 42,4% de Carlos Veiga.
As eleições presidenciais vão encerrar o ciclo eleitoral em Cabo Verde, após as eleições autárquicas de dezembro de 2024 e as legislativas de maio deste ano.
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