A torra, etapa em que o café pode ganhar complexidade ou perder parte do trabalho realizado ao longo de meses no campo, é o centro das discussões do Intertorra 2026, que começou ontem (28) no Instituto Federal do Sul de Minas, em Poços de Caldas (MG). Em sua sexta edição, o encontro reúne, durante três dias, profissionais ligados à produção, torrefação, indústria e consumo de cafés especiais. O evento é co-realizado pela Espresso&CO e pela Tinoco Cafés Exclusivos.
No primeiro dia, a programação apresentou palestras técnicas sobre qualidade, tecnologia, segurança e avaliação sensorial. Entre os convidados, marcaram presença nomes como Isabela Raposeiras, do Coffee Lab, o australiano Sam Corra, da Link Roaster e da ONA Coffee, e Elton Massarollo, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Raposeiras deu início aos conteúdos com a palestra “Como não estragar o trabalho de um ano inteiro em alguns segundos”, em que abordou a responsabilidade da torra sobre um café que passou por uma longa cadeia de decisões antes de chegar ao torrador.
Isabela Raposeiras, do Coffee Lab, e o australiano Sam Corra, da Link Roaster e da ONA Coffee / Fotos: -B Films
“Este é um evento muito importante porque, como país que mais produz no mundo, precisamos falar de qualidade. Precisamos que mais gente torre o próprio café aqui no Brasil”, opinou a empresária e mestre de torras. “Já dei palestras em outras edições, já fui embaixadora, e me sinto muito honrada por continuar contribuindo, aprendendo muito e trocando ideias”.
A discussão sobre qualidade ganhou uma perspectiva internacional com Sam Corra, que apresentou a palestra “Desafiando os estereótipos do café: como dados e tecnologia estão redefinindo a qualidade”. O australiano discutiu o uso de informações e ferramentas tecnológicas para compreender melhor o processo de torra e questionou conceitos estabelecidos sobre o que determina a qualidade de uma bebida.
“Eu acho que este é um grande público de mentes curiosas que querem descobrir e questionar coisas”, comentou Corra. “Ao longo da minha jornada no café, alcançamos sucesso questionando por que estamos fazendo algo e vendo se há outras possibilidades. Então eu gostaria que minha palestra inspirasse as pessoas a questionar e tentar novas maneiras, sabendo que há diferentes jeitos de encontrar o resultado certo e a abordagem e a opinião de todos são válidas”.
Outro tema de destaque do primeiro dia foi a apresentação da nova Classificação Oficial Brasileira (COB), protocolo oficial de classificação e degustação de cafés do país. Elton Massarollo apresentou as mudanças e explicou como o novo sistema pretende atualizar os parâmetros utilizados na avaliação do café brasileiro.
Elton Massarollo, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) / Foto: -B Films
“Um grande ponto que tratei foram as atualizações que o Ministério vem desenvolvendo nas normas que tratam da qualidade, identidade e segurança do café”, destacou Massarollo. “É importante que as pessoas saibam que este diálogo é para fazermos um questionamento sobre o que o Brasil faz com o seu café e como podemos agregar ainda mais valor, para que o país e o mundo conheçam melhor as virtudes e as características do café brasileiro”.
Além das palestras, o primeiro dia contou com apresentações de equipamentos de torra das marcas oficiais da edição, discussões sobre prevenção e segurança e atividades voltadas à valorização dos cafés produzidos na Região Vulcânica, onde está localizado o município de Poços de Caldas.
Para Caio Alonso Fontes, da Espresso&CO, realizar o Intertorra em Poços de Caldas é poder conectar diferentes etapas do café – a torra e a produção – em um só lugar. “Está sendo uma excelente oportunidade poder ver os profissionais se relacionando e aprendendo sobre torra junto com os embaixadores e com os convidados nesses três dias de evento”, afirmou.
“É uma grande oportunidade trazer para a Região Vulcânica tantos mestres de torra e pessoas renomadas do café especial”, comemora Ulisses Ferreira, diretor-executivo da Associação dos Produtores de Café da Região Vulcânica. “O Intertorra tem uma dinâmica muito bacana. É uma oportunidade de conhecer cada um dos torradores e cada um dos perfis que os mestres de torra estão trabalhando, ou seja, é uma oportunidade de muito conhecimento e expertise para os produtores e também para as marcas que trabalham com cafés especiais”.
A partir deste sábado (29), o evento entra na etapa prática. Ao longo do dia, os participantes acompanham sessões de torra e têm a oportunidade de utilizar diferentes equipamentos das marcas parceiras do evento – Atilla, Carmomaq, Kaleido Brasil e Ruralmac –, com a participação de especialistas e mestres de torra.
“Neste segundo dia de evento, temos a oportunidade de torrar quatro cafés aqui da Região Vulcânica em quatro grandes fabricantes de máquinas de torra. É a oportunidade perfeita para os participantes entenderem como cada café se comporta, o que cada equipamento tem a oferecer de diferencial e quais as técnicas dos embaixadores”, destacou Matheus Tinoco, da Tinoco Cafés Exclusivos.
No domingo (30), terceiro e último dia do Intertorra, os cafés torrados durante o encontro serão degustados. A programação prevê sessões de prova, investigação de defeitos de torra, seleção interna e geral dos cafés e divulgação das melhores torras.
Realizado desde 2018, o Intertorra já passou por cidades de Minas Gerais e São Paulo. Além das marcas oficiais de torradores, a edição de 2026 conta com a Baobá Cafés Especiais, Orfeu Cafés Especiais, Rosa Franco Cafés Especiais e Subasio Café Gourmet como cafés oficiais, e apoio de ABIC, Bunn, Cafés da Região Vulcânica, IF Sul de Minas – Campus Poços de Caldas, Link Roaster e PackOn.
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