Haiti registra mais de 5.500 agressões sexuais no primeiro semestre de 2026

O Haiti notificou mais de 5,5 mil episódios de violência de gênero na primeira metade deste ano, com a maioria dos casos envolvendo estupros de mulheres e meninas, conforme informou a ONU nesta quarta-feira (29).

O país enfrenta uma grave crise política, social e econômica, agravada pela violência exercida por gangues poderosas que praticam assassinatos, estupros, saques e sequestros.

Durante o mês de junho, foram registrados mais de mil episódios de violência de gênero. O porta-voz da ONU, Farhan Haq, destacou um “crescimento preocupante” nesse tipo de crime.

De acordo com as informações, mais de três mil das agressões sexuais ocorreram entre abril e junho de 2026.

Esses dados indicam um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados um pouco mais de 8 mil casos.

Em torno de 70% das agressões sexuais no primeiro semestre de 2026 foram crimes cometidos por gangues de homens armados, sendo que mais da metade das vítimas eram mulheres deslocadas internamente.

Especialistas têm alertado para a disseminação desse tipo de violência no país. Youri Saadallah, do Conselho Norueguês para Refugiados, afirmou que mulheres e meninas estão sendo “utilizadas como território de conflito”.

Em resposta, a ONU estabeleceu uma força especial denominada Força de Repressão às Gangues (GSF), após a falha de uma missão militar multinacional liderada pelo Quênia em estabilizar a região.

Conforme dados da ONU, de uma população de 11 milhões de habitantes no Haiti, cerca de 1,5 milhão está deslocada, e mais de 5 milhões enfrentam uma grave crise de segurança alimentar.

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