Haiti: país esquecido – IELA

Criador: rawpixel.com 

Desde 2004, quando o presidente do país, Jean Bertrand-Aristide, foi sequestrado por forças estadunidenses em nome do “reestabelecimento da democracia”, que é como eles chamam golpe de estado, o país não conseguiu mais se reerguer. Depois do sequestro de Aristide os EUA impuseram uma ocupação sob o argumento da “implementação da paz”, e a partir de então tudo o que o Haiti não tem é justamente a paz. De lá pra cá foram sucessivos governos títeres que mergulharam o país num caos total de corrupção e violência. O Brasil, vergonhosamente, mandou tropas para o Haiti por mais de 13 anos. O rastro de violência desta ocupação segue cada vez mais forte.

Conforme relatórios divulgados pelo Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti, só nos primeiros três meses de 2026 mais de 1.600 pessoas foram assassinadas. Cerca de 70% das mortes são provocadas pelas “forças de segurança” no que eles chamam de “combate aos grupos criminosos”, e perto de 30% são imputadas as gangues que dominam quase toda a capital. No informe também é relatado que pelo menos 30 pessoas foram executadas sumariamente pela polícia. E verifica-se que as gangues estão extrapolando a região de Porto Príncipe e se expandindo para outros departamentos.

O escritório da ONU informa que nos territórios dominados pela gangues são incontáveis as violações de direitos humanos, tais como assassinatos seletivos, sequestros, extorsões e destruição de bens. Carlos Ruiz Massieu, responsável pelo escritório na capital, conta que um garoto de 13 anos foi executado simplesmente por ter deixado escapar uma pipa que servia de vigia para o grupo. As mulheres, como sempre acontece em zonas de guerra ou conflitos armados, são as que mais sofrem. Nos últimos três meses foram somados mais de 292 casos de mulheres violentadas. As gangues praticam violações coletivas e usam a violência sexual como instrumento de terror para manter as comunidades “na linha”.

Mais da metade de população haitiana (5,7 milhões de pessoas) sofrem com os altos níveis de inseguridade alimentar e mais de seis milhões , incluindo aí cerca de 3,3 milhões de crianças, precisam de ajuda humanitária urgente. Estes são dados alarmantes visto que centenas de ONGs sistematicamente realizam campanhas para ajudar a população. Como já foi denunciado, inclusive por representantes brasileiros no Haiti, muitas destas campanhas servem menos para a população e mais para enriquecer alguns.

Atualmente a única forma que os haitianos têm de se proteger, tanto das gangues quanto das forças de segurança do país, é com a criação de grupos de autodefesa, mas ainda assim, a correlação de forças é bastante desigual. Abandonadas a própria sorte as famílias fazem o que podem para se defender, mas continuam frequentes os embates com os grupos criminosos, que impõem o terror.
Eleições presidenciais estão previstas para agosto no país, mas isso não garante para nada a vida da população. Entra governo, sai governo e o terror continua. A ONU também pode ser considerada cúmplice de todo esse processo, afinal, desde 2004, é esta instituição que diz estar “ajudando” o país. Passados mais de 22 anos a situação só confirma a falência deste tipo de intervenção.

Esta é a “democracia” que os Estados Unidos vem impondo ao povo haitiano, que até hoje paga o preço de ter sido o primeiro povo a se libertar das garras da colônia e ter se mantido firme na sua proposta de autodeterminação.

Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.