Guiné Equatorial: Papa denuncia colonização de recursos e exclusão social – Agência ECCLESIA

Leão XIV rejeitou instrumentalização religiosa em contextos de violência

Foto: Lusa/EPA

Malabo, 21 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa denunciou hoje a exclusão social e a colonização de recursos minerais, no seu primeiro discurso na Guiné Equatorial, apelando ao desenvolvimento do bem comum.

“Hoje, mais do que há alguns anos, é ainda mais evidente que a proliferação dos conflitos armados tem entre os seus principais motivos a colonização de jazidas petrolíferas e minerais, sem qualquer respeito pelo direito internacional e pela autodeterminação dos povos”, disse, em espanhol, perante o presidente da República, autoridades, sociedade civil e corpo diplomático, no Palácio Presidencial de Malabo.

Leão XIV condenou a especulação associada às matérias-primas e a crescente desigualdade global, sublinhando os danos provocados nos direitos das populações e na criação.

“É dever inalienável das autoridades civis e da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, do qual a destinação universal dos bens e a solidariedade são princípios fundamentais”, apontou.

No dia em que se evoca o primeiro aniversário da morte de Francisco, Leão XVI evocou o seu antecessor para reforçar a denúncia de uma economia que “mata”.

“A vertiginosa evolução tecnológica a que assistimos acelerou uma especulação ligada à necessidade de matérias-primas, que parece fazer esquecer exigências fundamentais como a salvaguarda da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública”, advertiu.

O Papa apontou à situação global, defendendo uma “mudança de rumo” na assunção de responsabilidade política e respeito pelas instituições e pelos acordos internacionais, considerando que “o destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido”.

Deus não deseja isto. O seu santo nome não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação: acima de tudo, não deve nunca ser invocado para justificar escolhas e ações de morte.”

Na sua saudação inicial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, o presidente no poder há 47 anos, falou da Guiné Equatorial como um “enclave” do Cristianismo na África Central, saudando um dia “histórico”, 44 anos após a visita de São João Paulo II.

Leão XIV evocou a construção da nova capital, designada “Cidade da Paz”, para convidar as lideranças políticas a assumir uma atitude baseada na ética.

“É urgente ter a coragem de visões novas e de um pacto educativo que dê aos jovens espaço e confiança”, apontou.

A intervenção denunciou a “riqueza injusta” e a “ilusão do domínio”, pedindo que o poder e o desenvolvimento não fiquem reservados a “uma elite”.

A chegada à Ginué Equatorial, após uma viagem desde Luanda, contou com as habituais cerimónias de boas-vindas no Aeroporto Internacional de Malabo.

Após a receção inicial, o Papa deslocou-se num automóvel aberto para a reunião privada com o chefe de Estado equato-guineense, assinalada por uma troca de presentes.

O percurso inicial contemplou a assinatura do Livro de Honras e uma paragem na Catedral Metropolitana de Malabo para um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento, seguindo-se o almoço na residência arquiepiscopal.

A etapa na Guiné Equatorial marca a conclusão da primeira viagem do atual pontificado a África, que incluiu passagens sucessivas pela Argélia, Camarões e Angola desde 13 de abril.

Os católicos são a maioria da população da Guiné Equatorial, cujo regime político tem sido denunciado por organizações internacionais devido a violações dos Direitos Humanos.

OC

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