Governo de transição guineense condena morte “em circunstâncias violentas” do líder do movimento “Po di Terra”
O Governo de transição na Guiné-Bissau condenou hoje a morte “em circunstâncias particularmente violentas” do cidadão Vigário Luís Balanta, encontrado num lugar ermo na localidade de Ndam Lero, próximo de Nhacra, a 30 quilómetros de Bissau.
Num comunicado consultado pela Lusa nas redes sociais de órgãos de comunicação social guineenses, o Governo de transição diz ter tomado conhecimento “com profunda consternação e viva indignação” do que considera ser de “lamentável e condenável acontecimento”.
As páginas de redes sociais de órgãos de comunicação social e de ativistas sociais guineenses estão inundadas de imagens de um homem, em camisa interior branca, aparentemente morto, apresentado como sendo Vigário Luis Balanta, de 35 anos.
Balanta era líder do Movimento Revolucionário “Po di Terra”, uma organização da sociedade civil guineense, constituída essencialmente por jovens que se posicionaram contra o golpe de Estado protagonizado por militares, em novembro passado, e que tem exigido a publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais realizadas no mesmo mês.
“Perante a gravidade deste, o Governo condena com a maior firmeza e sem qualquer reserva este ato bárbaro, que choca a consciência nacional, atenta contra a dignidade humana e ofende os valores fundamentais da convivência civilizada”, refere no comunicado.
O executivo afirma estar “firmemente empenhado” em criar as condições para a retoma plena da normalidade institucional, da paz social, da segurança pública e da vida constitucional do país, e que acontecimentos desta natureza “merecem resposta célere, firme e exemplar” por parte das autoridades competentes.
“Logo após tomar conhecimento do caso, o Governo instou as autoridades judiciais, policiais e de investigação criminal a procederem, com caráter de urgência, a todas as diligências legalmente necessárias, com vista ao apuramento integral da verdade dos factos, à identificação dos autores materiais e morais deste crime e à sua consequente responsabilização nos termos da lei”, declara no comunicado.
O Governo de transição destaca que “não haverá complacência” perante atos de violência, criminalidade ou atentados contra a vida humana, e sublinha que o Estado “tem o dever indeclinável de proteger os cidadãos e garantir justiça”.
A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância.
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