Durante a pandemia, Lucas Gatica, hoje com 26 anos, vendia livros usados pela internet a compradores da Região Metropolitana. De sua casa, então em Sapucaia do Sul, montava em uma bicicleta e pedalava quilômetros até mesmo a cidades próximas para fazer as entregas pessoalmente.
Após desenvolver suas habilidades como programador e receber lições de empreendedorismo na primeira turma do Geração Caldeira — programa de qualificação do Instituto Caldeira para jovens de 16 a 24 anos vindos de escolas públicas, atualmente na 5ª edição —, hoje Gatica tem uma startup que traduz para diferentes línguas livros sob domínio público graças a um sistema de inteligência artificial que ele mesmo desenvolveu.
Vende as obras para regiões como Europa, Ásia e América do Norte em versões físicas ou digitais. Os principais destinos são França e Alemanha, seguidos por Estados Unidos e só então Brasil.
— Vendo pela Amazon e mando imprimir, por meio de empresas parceiras, sob demanda. Menos de 30% das vendas são e-books. A grande maioria é livro físico mesmo. Atualmente, já estou vendendo 1,5 mil obras por mês para 16 países — conta o criador da startup Mercury, que recentemente se mudou para Esteio.
Na avaliação de Lucas, iniciativas como o Instituto Caldeira vem fazendo a diferença ao qualificar jovens empreendedores locais.
Conforme a pesquisa O Sonho do Jovem Gaúcho, o estilo de vida do Rio Grande do Sul é um dos seus principais ativos, mas propiciar mais aos jovens maior inserção na economia global e melhores salários.
O trabalho foi encomendado pela Invest RS e Secretaria de Comunicação do Estado à ACE Post-Consultancy para entender melhor a relação da juventude gaúcha com o Rio Grande do Sul, no esforço de reter talentos por aqui. Mais de 900 jovens responderam a um questionário e 54 foram entrevistados em profundidade.
Lucas deixou o antigo trabalho na área de informática de uma empresa e hoje se dedica integralmente à sua startup. Deixar o Rio Grande do Sul não está nos planos.
Gosto do estilo de vida daqui, de churrasco, de xis, tenho minha família toda aqui, e acho que o Estado está muito melhor do que já foi para empreendedores. Não acho que sair do Estado mudaria muita coisa para o meu negócio.
LUCAS GATICA, 26 ANOS
Empreendedor
O que diz a pesquisa*:
- 93,6% dos jovens estão abertos a sair do RS
- 39,3% definem o RS como “desafiador” para os jovens
- 35,5% veem o RS como um ambiente com boas pessoas, mas pouca cultura de networking
Relações familiares são o motivo mais frequente para justificar a permanência no RS:
- 70,1% está aqui em razão da família/vínculos
- 39,4% apontam que aqui há melhores salários
- 29,8% apontam segurança pública e climática
- 24,5% citam lazer e vida cultural
*Fonte: pesquisa O Sonho do Jovem Gaúcho (Invest RS/ACE Post-Consultancy). Em alguns casos, cifras superam 100% por serem de múltipla escolha. Em outros casos, não chegam a 100% porque apenas os principais resultados estão apresentados.
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