Fruta nativa da América do Sul, milho roxo rompe fronteiras e ganha espaço na Amazônia

Presente na região andina da Amazônia (Peru e Bolívia), o milho roxo tem sido cada vez mais cultivado por pequenos produtores. Crédito: Divulgação Capitalist
João Cunha

João Cunha 5 min

O milho roxo, tradicionalmente associado às regiões andinas e costeiras do Peru, começa a conquistar espaço também na Amazônia. A fruta nativa da América do Sul vem sendo cultivada com sucesso por pequenos produtores amazônicos, especialmente na região de Ucayali, no leste peruano, graças ao apoio técnico do Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP). A iniciativa já é vista como uma alternativa econômica sustentável para agricultores familiares.

Além da produção agrícola, o cultivo do milho roxo abriu caminho para a criação de novos produtos derivados. Entre eles está uma bebida que mistura a essência do milho com camu-camu, fruto típico da Amazônia conhecido pelo alto teor de vitamina C. A combinação resultou na chamada “Camuchicha”, bebida que vem sendo apresentada em feiras regionais e ganhando destaque pela proposta de unir ingredientes nativos do continente.

Segundo o pesquisador do IIAP, Carlos Abanto Rodríguez, o projeto foi desenvolvido em parceria com os agricultores locais, levando em consideração as necessidades e condições específicas das comunidades amazônicas. De acordo com ele, o objetivo é fortalecer a economia das famílias rurais e ampliar as possibilidades de geração de renda a partir de produtos orgânicos e adaptados à região.

Cultivo pioneiro nas várzeas amazônicas

O primeiro caso considerado bem-sucedido de cultivo de milho roxo nas planícies inundáveis amazônicas ocorreu em áreas conhecidas como várzeas, terrenos que ficam submersos durante o período de cheia dos rios e reaparecem quando as águas baixam. Essas áreas, segundo especialistas, possuem grande fertilidade natural devido aos sedimentos deixados pelas enchentes entre os meses de dezembro e março.

Plantio do milho roxo avançou para novas regiões na Amazônia, como as várzeas. Crédito: Blog Viagens Machu Pichu
Plantio do milho roxo avançou para novas regiões na Amazônia, como as várzeas. Crédito: Blog Viagens Machu Pichu

Foi nesse contexto que surgiu a experiência da agricultora Cleydis Murayari Ihuaraqui, moradora da comunidade 7 de Junio, no distrito de Yarinacocha. Em 2022, ela chamou a atenção do IIAP ao plantar milho roxo em uma região onde esse tipo de cultivo era raro. Após obter resultados positivos, a produtora solicitou sementes da variedade INIA 615 Black Canaan para ampliar a produção.

O instituto então forneceu dez quilos de sementes para Cleydis e distribuiu outros quarenta quilos entre diferentes agricultoras da região. O apoio fez parte de um programa de incentivo agrícola que também contempla sementes de feijão, melancia, pimenta e outros alimentos. Segundo Abanto, a iniciativa busca garantir colheitas mais eficientes e reduzir os riscos enfrentados pelos produtores.

Boa colheita e aposta em novos produtos

As primeiras plantações de milho roxo ocuparam uma área de aproximadamente 2.500 metros quadrados e foram acompanhadas tecnicamente pelo IIAP. Durante os primeiros meses, a aparência das espigas gerou dúvidas entre os produtores, já que a coloração roxa ainda não havia se manifestado completamente. No entanto, nas semanas finais antes da colheita, a tonalidade característica apareceu.

O resultado surpreendeu positivamente. Cleydis Murayari conseguiu colher cerca de 500 quilos de milho roxo. Desse total, 450 quilos foram vendidos por valores entre quatro e cinco soles peruanos por quilo. O restante foi utilizado para alimentação familiar e para a produção de bebidas semelhantes à tradicional chicha morada peruana.

Com o sucesso da experiência, o IIAP passou a investir na criação de produtos de maior valor agregado. Assim nasceu a “Camuchicha”, composta por 60% de essência de milho roxo e 40% de polpa de camu-camu. Inicialmente desenvolvida em laboratório, a tecnologia foi transferida para mais de 150 agricultores da região. A expectativa agora é ampliar as pesquisas para identificar as variedades de milho roxo mais adaptadas ao clima amazônico e consolidar o cultivo como alternativa sustentável para a agricultura local.

Referências da notícia

Portal Amazônia. Milho roxo quebra barreiras e cresce na Amazônia. 2026

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