21 de ago de 2026 às 16:21
A filha de um imã de Guiné-Bissau fez sua primeira profissão como religiosa católica. Ela descreveu o momento como uma resposta ao chamado de Deus e um momento de “alegria, emoção e profunda gratidão”.
Aicha Settimia Canté, de 27 anos, fez sua profissão temporária em 15 de agosto, solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, na Congregação das Irmãs do Divino Espírito (CDS).
A missa de celebração ocorreu na diocese de Bissau e foi celebrada pelo bispo-emérito de Bissau, José Câmnate Na Bissign.
“Acima de tudo, quero agradecer a Deus por me chamar, me escolher e me sustentar até este momento”, disse Canté em seu discurso de agradecimento. Ela disse que seu coração “transborda de alegria, emoção e profunda gratidão”.
A vocação religiosa de Canté tem um significado especial por ela vir de uma família muçulmana. Ela é filha de um imã e natural de Safim. Foi batizada na paróquia Nossa Senhora da Graça Farim, da diocese de Bissau, e recebeu a confirmação na paróquia Santa Ana Mansoa antes de iniciar sua jornada rumo à vida consagrada.
Sua profissão destaca a coexistência de diferentes tradições religiosas na Guiné-Bissau.
‘Minha vocação foi fortalecida’
Em seu discurso, a nova freira agradeceu a Na Bissign por celebrar a missa. “Muito obrigada por aceitar rezar essa missa, que é tão significativa para mim. Sua presença tornou este dia ainda mais bonito e cheio de significado”, disse.
Ela disse ser grata à superiora e às freiras de sua congregação religiosa pelo acompanhamento em toda a sua formação. “Cada um de vocês contribuiu para a minha formação e para o fortalecimento da minha vocação”, disse.
Canté também agradeceu àqueles que a acompanharam em sua formação, inclusive seus estudos de francês, o postulantado e o noviciado. Ela disse que os ensinamentos, conselhos e gestos de amor dessas pessoas a ajudaram a crescer como mulher cristã e religiosa.
Ela agradeceu ainda àqueles que a acompanharam espiritualmente e a ajudaram a discernir sua vocação.
‘A vocação é uma missão divina’
Em sua homilia, o bispo exortou Canté a abraçar sua vocação como uma missão de fé e dedicação a Deus. Ele disse que responder ao chamado de Deus exige determinação, uma resposta generosa e disposição para servir. Segundo ele, Deus continua chamando homens e mulheres para participar de Seu plano para a humanidade, apesar dos desafios que os jovens enfrentam hoje.
O bispo disse que a vocação não deve ser entendida simplesmente como uma escolha individual dissociada da missão, mas como uma resposta ao plano de Deus. “É uma missão divina”, disse, enfatizando a responsabilidade daqueles que se colocam a serviço de Deus e da humanidade.
Na Bissign também descreveu a fé como essencial para navegar pela vida e superar seus desafios. “Aqueles que não têm fé em Deus estão completamente desorientados”, disse. Exortou também aqueles que respondem ao chamado de Deus a manterem seu relacionamento com Ele no centro de suas vidas.
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O bispo destacou a oração e a gratidão como elementos essenciais da jornada cristã e defendeu um relacionamento permanente com Deus em meio aos desafios pessoais e sociais.
‘No coração da Igreja, eu serei amor’
A profissão temporária foi celebrada sob o lema atribuído a santa Teresa do Menino Jesus: “No coração da Igreja, minha Mãe, serei amor”.
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Na Bissign apresentou Nossa Senhora como um modelo de resposta ao chamado de Deus. “Maria é a resposta completa a Deus”, disse. Ela é “a arca da nova aliança” por sua disposição em receber e cumprir a vontade de Deus, acrescentou o bispo.
Ele também destacou o papel do Espírito Santo na missão da Igreja, descrevendo o Espírito como “o principal companheiro da Igreja”.
Ataques nas redes sociais
A profissão religiosa de Canté atraiu comentários ofensivos, ataques pessoais e discursos de ódio nas redes sociais, principalmente devido à identidade de seu pai como imã e à sua decisão de abraçar a vida religiosa católica.
A situação levou a Confederação Nacional da Juventude Islâmica da Guiné-Bissau a condenar os ataques e a defender a liberdade de consciência e de religião.
A organização expressou “profunda preocupação com a onda de comentários ofensivos, ataques pessoais e discursos de ódio” que circularam nas redes sociais depois da notícia da escolha religiosa de Canté.
A organização juvenil islâmica falou sobre o ensinamento do Alcorão de que “não há compulsão na religião” e apelou para que a fé islâmica seja expressa através da paz, misericórdia, justiça, tolerância, sabedoria e respeito pela dignidade humana, em vez de insultos, humilhação, ameaças ou perseguição.
“Respeitar a escolha de alguém não significa necessariamente concordar com ela”, disse. Para a organização, a discordância sobre escolhas religiosas não justifica ataques à dignidade de outra pessoa.
O grupo disse que a liberdade de expressão não deve ser confundida com a liberdade de difamar, insultar, incitar o ódio ou provocar conflitos religiosos.
Apelou ainda a uma Guiné-Bissau em que muçulmanos, cristãos e pessoas de outras crenças possam viver “com respeito, fraternidade e dignidade”, descrevendo o episódio como uma oportunidade para reflexão e diálogo, em vez de maior divisão.
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