Enxaqueca: como novo remédio pode mudar o tratamento das crises no Brasil

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento oral para enxaqueca: o rimegepanto, princípio ativo do Nurtec ODT nesta segunda-feira, 25. Trata-se de uma classe de medicamento que ainda não estava disponível por aqui, o gepante oral.

Ele foi autorizado para tratamento agudo da enxaqueca com ou sem aura em adultos e também para prevenção da enxaqueca episódica em pacientes com, pelo menos, quatro crises por mês. E a expectativa é que chegue em breve ao Brasil.

É uma mudança importante no tratamento da condição no país por se tratar de uma opção oral que pode ser utilizada no manejo das crises, além de, em alguns casos, também integrar estratégias preventivas.

O medicamento atua no bloqueio do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), envolvido nos mecanismos de dor e inflamação associados à enxaqueca. Com isso, atua de forma mais específica no processo da crise, diferentemente de medicamentos tradicionalmente usados para aliviar as dores nos momentos mais incômodos.

Assim, destaca-se como um grande aliado no manejo de pacientes com cefaleia por uso excessivo de medicamentos como analgésicos e anti-inflamatórios. Essas medicações são muito utilizadas na tentativa de controlar as crises, mas, além de não contribuírem para o tratamento, ainda pioram o padrão da dor.

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Os gepantes, no entanto, não têm esse perfil, então, podem auxiliar na retirada do uso excessivo de medicações de crise e ajudar o paciente a sair desse ciclo, o que é muito difícil.

Mas o rimegepanto não deve ser visto como um medicamento milagroso, que vai resolver qualquer caso de enxaqueca. Ele amplia o arsenal terapêutico, mas não substitui uma avaliação médica cuidadosa, sendo uma alternativa para pacientes que não respondem bem aos tratamentos atuais, que têm contraindicações a algumas medicações ou que acabam usando remédios de crise em excesso.

Eu já uso a medicação há algum tempo em pacientes que moram fora do país, por exemplo. E a experiência é muito positiva, mas sempre como parte de uma estratégia bem conduzida de tratamento.

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Segundo evidências recentes, o rimegepanto também pode ser utilizado em combinação com outras terapias para enxaqueca, com perfil de segurança favorável. Isso é importante porque a enxaqueca raramente é controlada com uma única medida. Além dos medicamentos para a crise, o tratamento também envolve mudanças de hábitos, identificação de gatilhos e terapias preventivas.

É importante lembrar que a enxaqueca é uma doença crônica, que não tem cura, mas tem controle. Diagnóstico correto, acompanhamento especializado e uma estratégia individualizada são fundamentais para reduzir a frequência e intensidade das crises e devolver qualidade de vida ao paciente.

*Tiago de Paula é médico neurologista especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC). Integra o corpo clínico do Headache Center Brasil, em São Paulo

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