Eneva estuda projetos na Venezuela, mas sem envolver parceiros, diz comando | Empresas

O presidente da Eneva, Lino Cançado, disse que a empresa tem estudado projetos na Venezuela, mas negou que estaria negociando a entrada no país em conjunto com a Maha Capital. Segundo o executivo, que falou com jornalistas após participar de painel no Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), o país precisa atrair investimentos estrangeiros.

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Depois da invasão pelos Estados Unidos que derrubou o então presidente Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro, a Venezuela passou a atrair interesse de empresas em investir no setor de petróleo e gás. Em fevereiro, a Reuters divulgou que a Eneva estaria em negociações com a Maha Capital, ainda em estágio inicial, para uma joint-venture.

Cançado afirmou que a companhia poderia entrar no país com projetos de exploração e produção de gás natural e de geração termelétrica. “É um país que precisa de tudo que a capacidade da Eneva pode fazer. Seja no ‘upstream’ (produção), seja no ‘downstream’ (transporte e consumo), seja na geração. Então, claro que temos interesse”, disse Cançado.

Ele disse que a Venezuela precisa muito atrair investimentos estrangeiros, principalmente na geração de energia, uma vez que vive com racionamento de energia na maior parte das cidades. Mesmo para aumentar a produção de petróleo, do atual nível de 1 milhão de barris por dia, para a marca histórica de 3 milhões de barris/dia, será necessário investir no aumento da oferta de eletricidade. “Não se aumenta a produção nesse nível sem energia elétrica”, disse.

Cançado descartou, porém, a exportação de energia das usinas da Eneva em Roraima para a Venezuela, por meio de uma linha de transmissão que liga o país ao Estado brasileiro. O motivo é que as linhas de transmissão estão deterioradas, sem condição de permitir envios de grandes blocos de energia. Além disso, as térmicas da Eneva em Roraima estão totalmente contratadas.

O executivo disse ainda que a empresa está conversando com diferentes fornecedores de baterias com vistas ao leilão da modalidade, que será realizado em dezembro. Segundo ele, todos os fabricantes de sistemas têm feito ofertas à Eneva, que tem interesse em participar do certame e vai avaliar o que faz mais sentido.

Sistemas de armazenamento são considerados alternativa para a redução dos cortes de geração de energia renovável por excesso de produção. As baterias podem armazenar a energia excedente, especialmente solar, gerada a preços mais baixos durante o dia, e descarregar a partir do fim do dia, quando a geração solar sai do sistema com o pôr-do-sol e a rede exige uma substituição rápida.

Mais cedo, o diretor de planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, disse que uma das diretrizes em estudo do leilão é a definição das margens de escoamento das linhas de transmissão, o “espaço” para transporte da energia, associadas à localização das usinas.

A preocupação do ONS é que as baterias estejam localizadas em regiões onde possa carregar entre 11 horas e 15 horas, quando há sobra de geração, e descarregar no horário de ponta, período crítico para a operação do sistema.

Segundo Cançado, a empresa vai fazer uma contratação inicial no certame, que é inédito, para entender à modalidade e permitir que se complemente estudos da Eneva sobre as baterias, especialmente a localização delas. “Não tem por que não participar do leilão de baterias. Temos que complementar todos os estudos e entender onde as baterias fazem mais sentido”, disse Cançado.

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