Em show contido, Lola Young estreia no Brasil no Rock in Rio

Lola Young passou a semana inteira no Rio de Janeiro antes de subir ao Palco Mundo, no último domingo, 13. Foi à praia, comeu açaí e assistiu ao show de Elton John na Cidade do Rock. Quando chegou a hora de se apresentar, parecia, de todas as formas, mais do que pronta para a estreia no Brasil — adiada desde o cancelamento do Lollapalooza, em março, quando uma série de problemas de saúde a obrigou a pausar a carreira após desmaiar no palco do All Things Go, em Nova York. O Rock in Rio era, portanto, um recomeço. E, como recomeços costumam ser, foi honesto — com todas as contradições que essa palavra carrega.

Os primeiros minutos não ajudaram. O telão travou, o microfone estourou em algumas passagens e a energia ainda não tinha se estabelecido. Lola estava animada — isso era visível —, mas as primeiras interações com o público foram tímidas e um pouco desajeitadas, ainda mais depois do ritmo alto deixado por Ivete Sangalo, no Palco Mundo, e Joelma, no Sunset. Chegar após duas das maiores forças do palco brasileiro e tentar instaurar um clima completamente diferente não é simples. O público demorou a se ajustar — e ela também.

O que nunca esteve em dúvida foi a voz. Lola Young tem uma das presenças vocais mais impressionantes da nova geração do pop britânico, e ao vivo isso fica ainda mais evidente. “Big Brown Eyes” e “Conceited”, do This Wasn’t Meant For You Anyway (2024), e “One Thing” e “d£aler”, do mais recente I’m Only Fking Myself** (2025) — disco sobre sexo, drogas e saúde mental que chegou ao #3 na parada britânica — compuseram um repertório que mostrou o alcance de uma artista que, em apenas três anos, construiu uma discografia de peso. O clímax ficou para o final: “Messy” — o single que viralizou no TikTok em 2024, chegou ao #1 no Reino Unido e lhe rendeu o Grammy de Melhor Performance Pop Solo — encerrou o show com a plateia cantando junto, pela primeira vez, com força real. Valeu a espera.

Em certo momento, Lola parou para falar sobre o poder de estar fisicamente em um show — e aproveitou para alfinetar a inteligência artificial. “Com a ascensão da IA e todas essas m*rdas, o fato de que ainda podemos fazer coisas assim é muito poderoso”, disse. Emocionou-se a ponto de chorar no palco. E, no final, mais solta, declarou: “Melhor público da minha vida”! A produção, no entanto, ficou aquém do momento: apenas o nome dela, estático no telão, alguns jogos de câmera e um filtro P&B que alternava entre ligar e desligar. Nada de pirotecnia ou de um desenho de luz mais elaborado. (Sabemos que a ausência de fogos não define um show, mas, em uma edição do Rock in Rio com telões de 2.400 m² e drones, espera-se mais do que isso.)

Antes de sair do palco, Lola Young prometeu que voltaria ao Brasil em breve. Torçamos para que aconteça — e que, na próxima vez, o show esteja à altura do talento dela.

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