Eleições na Fifa: Atual presidente, Gianni Infantino busca reeleição com votos da América do Sul, África e Oceania

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Redação do Jornal O Sul

| 23 de agosto de 2026

A Fifa conhecerá os candidatos à eleição presidencial da entidade até 18 de novembro, prazo para inscrições de candidaturas. Mas Gianni Infantino, que tenta a terceira reeleição, já tem ideia de quem o apoia e de quem serão seus opositores, antes mesmo do lançamento dos rivais do pleito, que será realizado em 18 de março de 2027, no Marrocos. Todas as confederações já se manifestaram após ter esfriado a crise pela controversa proposta comercial do ítalo-suíço, que pretendia levar investimento privado à Fifa. Críticos viam o projeto de Infantino como um plano de “venda da Copa do Mundo”.

Uefa (Europa), Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia) demonstram oposição conjunta ao presidente. Conmebol (América do Sul), CAF (África) e OFC (Oceania) apoiam o mandatário. Os continentes se manifestam independentemente das opções de seus membros, assim como os países podem votar separadamente dos blocos.

A mais recente expressão contrária ao mandatário foi a de Israel. A Associação de Futebol de Israel (IFA, na sigla em inglês), vinculada à Uefa, rompeu com Infantino, citando a proposta da Fifa Forward Enterprise (FFE) e a demissão de Kevin Lamour, diretor de operações que criticou o projeto.

Na América do Sul, o Brasil não fez manifestações contundentes. O presidente da CBF, Samir Xaud, apenas comentou ser “um pouco contra essa venda dos direitos”, em referência ao investimento privado de Infantino. Mas há um apoio presumido a Infantino, em consonância com a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Argentina e Paraguai foram os únicos do continente que publicaram posições próprias em reforço à entidade do bloco. Já Colômbia, Peru e Bolívia integraram a agenda recente de Gianni Infantino com eventos junto às respectivas federações.

Possíveis rivais

A Concacaf retirou o apoio ao atual presidente. O mandatário da Confederação da América do Norte, Central e Caribe, Victor Montagliani, é visto como um possível candidato na eleição da Fifa. Dentro do bloco, há discordância. O México fez um pronunciamento próprio, contrário à Concacaf e similar ao da Conmebol. O país já havia dito que “estudaria” a proposta de Infantino antes de ela cair.

Depois, os mexicanos prestaram apoio ao dirigente, dizendo “não reconhecer nem aprovar qualquer processo que seja convocado à margem da institucionalidade e aderir ao chamado feito pelo presidente Infantino”. Antígua e Barbuda seguiram a mesma linha.

Além de Montagliani, outro nome visto como postulante à presidência da Fifa é Lise Klaveness, líder da Associação Norueguesa. A Uefa, berço de Infantino, é hoje sua principal opositora. Além da manifestação da entidade, que conta com 55 associações, 15 países marcaram posição própria contra o cartola: País de Gales, Inglaterra, Escócia, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Croácia, Grécia, Sérvia, Romênia, Albânia e, mais recentemente, Israel.

A Nova Zelândia é a única da OFC que diverge do posicionamento continental, que apoia a Fifa. O país é o principal membro da Oceania, já que a Austrália é do grupo asiático.

A AFC se mostrou contra Infantino. É, porém, a confederação com mais divergência. Líbano, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Sri Lanka, Butão, Indonésia e Filipinas contrariaram a entidade continental à qual estão vinculados.

O Nepal foi suspenso em junho por interferências do governo na administração da entidade, o que viola os estatutos da organização internacional. A Arábia Saudita, aliada de Infantino, não se posicionou publicamente. Sede da Copa de 2034, o país ainda passará por eleição interna na sua associação. O resultado pode definir sua posição nas eleições.

Na África, há apoio unânime ao presidente da Fifa. Congo, Egito, Marrocos, Libéria, Níger e Mauritânia fizeram manifestações reiterando o posicionamento da CAF. São 54 associações com as quais o ítalo-suíço espera contar na eleição.

Como funciona

Até julho, Infantino tinha o apoio da maioria das associações e parecia ter tudo encaminhado para o quarto mandato. Se houver apenas dois candidatos, basta maioria simples (de 106 votos) para vencer.

Embora haja um cenário desenhado no mapa, não há garantia de que esses serão os números da eleição de março. Se o panorama se concretizar, Infantino perderia a eleição.

Em caso de três ou mais postulantes, uma vitória no primeiro turno exige ao menos dois terços dos votos (141). Se isso não acontecer, os dois mais votados fazem um segundo turno nas urnas em que é preciso maioria simples. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

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