A dívida privada segue em patamar historicamente alto no mundo e teve aumento expressivo no Brasil e na China, segundo relatório anual do Banco de Compensações Internacionais, o BIS. O documento, divulgado neste domingo (28) aponta que o avanço do endividamento do setor privado pode acabar pressionando também as contas dos governos, caso futuras crises exijam socorro público.
O alerta do BIS é de que a dívida pública pode crescer por causa dos custos fiscais associados a crises financeiras, que costumam estar ligadas ao tamanho da dívida do setor privado não financeiro. Na prática, o relatório chama atenção para o risco de parte desse endividamento virar passivo fiscal, especialmente em cenários de instabilidade.
Segundo o documento, a dívida privada caiu levemente desde a crise financeira global, mas continua elevada em várias economias avançadas. Nesses países, o indicador tem permanecido ao redor de 150% do Produto Interno Bruto, com pico acima de 170% durante a pandemia, considerando os passivos do setor privado não financeiro.
Nas economias emergentes, o movimento foi de alta mais intensa nos últimos anos. De acordo com o BIS, esse endividamento saiu da faixa de 75% do PIB em 2007 para 125% em 2025. É nesse grupo que Brasil e China aparecem com aumentos descritos no relatório como notáveis.
O documento também aponta riscos adicionais para a dívida pública. Entre eles estão perdas de empresas estatais, além de problemas fiscais em estados e municípios, que muitas vezes contam com garantias explícitas ou implícitas do poder público.
Outro ponto levantado pelo BIS é que o cenário atual é menos favorável para lidar com esse nível de endividamento. O relatório observa que a dívida pública elevada e as pressões fiscais crescentes coincidem com um ambiente financeiro mais difícil do que o observado após a crise global, o que tende a tornar o refinanciamento de passivos mais desafiador.
O banco também chama atenção para a expansão do mercado de crédito privado, formado por fundos e outras estruturas que emprestam recursos fora do sistema bancário tradicional. Segundo o relatório, esses agentes quadruplicaram, nos últimos cinco anos, os empréstimos para empresas de inteligência artificial e tecnologia da informação.
Na avaliação do BIS, esse mercado é menos transparente e pode concentrar fragilidades financeiras fora dos bancos, com potencial de ampliar choques em caso de juros mais altos, piora do ambiente econômico ou frustração com os retornos esperados na área de inteligência artificial.
Embora esse crédito seja majoritariamente ofertado por fundos, o documento destaca que existem conexões capazes de transmitir estresse para bancos e seguradoras em momentos de turbulência.
Crédito: Link de origem