*** João Carreira (texto) e Nuno Veiga (vídeo e fotos), da agência Lusa ***
(REPETIÇÃO) São Tomé, 18 jul 2026 (Lusa) — O Governo de São Tomé e Príncipe antevê mais ajuda às comunidades locais e maior capacidade para atrair turistas se as roças são-tomenses forem inscritas na lista de património mundial da UNESCO no final deste mês.
Em declarações à Lusa, a ministra da Cultura, Isabel Maria Correia Viegas de Abreu, admite ainda que a distinção, a acontecer, durante a reunião do comité que começa este domingo e se prolonga até 29 de julho na Coreia do Sul, acarreta acrescidas responsabilidades para o Governo são-tomense.
São Tomé e Príncipe concorre à lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), na categoria Sítios Culturais, com “As roças de São Tomé e Príncipe: Sistema colonial agrícola e migração forçada”.
Segundo a UNESCO, na 48.ª sessão do Comité do Património Mundial será examinada, entre outras questões, a inscrição de 30 novos sítios na lista do Património Mundial, assim como propostas relativas a três sítios já inscritos. Além disso, refere a UNESCO, “será avaliado o estado de conservação de 147 sítios já incluídos nesta lista”.
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“É uma responsabilidade do Governo”, que terá também “responsabilidades com a comunidade das roças, porque nós temos que trabalhar na salvaguarda como forma de compensação às comunidades, para trabalhar na atração turística. E (…) nós contamos com o apoio de todos, com o apoio dos privados, do Estado, dos ‘mini’-empresários e empreendedores, (…) depois desse sucesso”, sublinhou Isabel Abreu.
A governante garante que já se está a avançar na preservação e salvaguarda, que é preciso reforçar esse trabalho, mas são óbvias as vantagens com a distinção: “Depois das roças se tornarem património da UNESCO, nós temos que trabalhar no sentido de que as comunidades próprias comecem a ter apoios para uma indústria criativa e as roças a conquistar os turistas, porque cada roça tem sua especificidade. (…) E a atração turística é o ponto forte que nós cremos que irão servir as roças”.
O ano passado foi um ano de distinções para São Tomé e Príncipe. Primeiro, tornou-se no primeiro país a ter todo o seu território classificado como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO. Depois, o Tchiloli foi oficialmente integrado na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, uma expressão artística secular que funde teatro popular, música tradicional e dança.
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Agora, São Tomé e Príncipe invoca – na candidatura, que engloba seis roças – o período de implantação nacional, com a introdução da monocultura do cacau e do café no século XIX, tornando-se num centro de produção agrícola histórico colonial, “semelhante ao sistema feudal, cujo processo de produção se realizava através do trabalho forçado, onde a mão-de-obra provinha de vários países da costa africana, nomeadamente Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Benim, Congo e Serra Leoa”, pela mão dos portugueses.
A “roça” atingiu o seu auge no final do século XIX e início do século XX. Em termos de autenticidade, “em Sundy, Monte Café, Água-Izé, as infraestruturas urbanas, arquitetónicas e sociais têm atributos como hospitais, creches, escolas, igrejas e infraestruturas recreativas que não foram recriadas ou recentemente construídas”.
Até à data, o Comité do Património Mundial inscreveu 1.248 sítios em 170 países na lista do Património Mundial.
Segundo a UNESCO, a classificação como Património Mundial permite reconhecer e proteger sítios de valor universal excecional, sejam eles naturais, culturais ou mistos, e “compromete os Estados membros a preservar estes locais emblemáticos”.
JMC (MAV) // MLL
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