Os números não batem certo. A polícia fala em 16 mortes e dez feridos, vítimas de um novo ataque no Haiti. Já um relatório preliminar das autoridades de proteção civil indica 17 mortos e 19 feridos, a maioria homens. Mas as contas de uma organização não governamental (ONG) são outras, num balanço muito acima dos dados oficiais. A Defenseurs Plus adianta que pelo menos 70 pessoas foram mortas, 30 ficaram feridas, e 6.000 foram forçadas a fugir, perto de Petite-Riviere, na região de Artibonite, na segunda-feira, refere a agência de notícias Reuters. Também Stephane Dujarric, porta-voz do Secretário-Geral da ONU, afirma que as estimativas do escritório das Nações Unidas no Haiti, a BINUH, variavam entre os 10 e os 80 mortos, pedindo uma investigação completa ao sucedido.
O ataque surge dias antes de a nova força multinacional – Força de Supressão de Gangues – entrar no país para combater os gangues que têm vindo a aterrorizar a nação caribenha, recorda a CNN. O gangue Gran Grif terá começado a atacar comunidades rurais de Jean-Denis e Pont-Sondé na madrugada de domingo e prolongou-se até à madrugada do dia seguinte, de acordo com a informação avançada pelos meios de comunicação social locais. Os membros do grupo criminoso terão invadido e incendiado várias casas (a Defenseurs Plus estima 50), e alvejado civis indiscriminadamente, deixando um rasto de destruição.
Uma mensagem de áudio que circulou nas redes sociais atribuída ao líder do Gran Grif, Luckson Elan, sugere que se tratou de uma retaliação aos ataques à sua base em Savien por um grupo armado rival.
A Polícia Nacional do Haiti informou que mobilizou três veículos blindados, mas graças a buracos cavados propositadamente ao longo da estrada pelos membros do gangue, para dificultar o trajeto, as autoridades só chegaram ao local bastante mais tarde, estando o grupo armado já em fuga.
Os feridos foram levados para um hospital local e os mortos para duas morgues, de acordo com a polícia, que acrescentou ter iniciado uma operação para localizar os membros do gangue. Um médico do Hospital Saint Nicolas, na cidade de Saint Marc, no oeste do país, afirmou à CNN que sua equipa recebeu pelo menos 15 feridos, tendo a mais jovem das vítimas apenas 13 anos.
“Este último massacre é mais uma atrocidade numa série de crimes que as autoridades haitianas e a comunidade internacional não conseguiram impedir”, lamentou Johanna Pelaez, da Amnistia Internacional nas Caraíbas, à CNN.
Gangues mataram mais de 16 mil pessoas em três anos no Haiti
A região de Artibonite, uma importante área agrícola do país, tem sido palco de alguns dos piores episódios de violência no Haiti, à medida que o conflito entre gangues se tem estendido para além da capital, Porto Príncipe, apesar do maior policiamento e dos apoios estrangeiros às forças de segurança haitianas.
Texto editado por Dulce Neto
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