As relações comerciais entre Estados Unidos e Canadá não pesam da mesma forma em cada território, e a geografia explica boa parte dessa diferença. Segundo dados reunidos pelo Visual Capitalist a partir do U.S. Census Bureau e da Statistics Canada, a fatia do comércio internacional de bens realizada com o país vizinho varia de praticamente zero a quase 80% entre as 50 unidades federativas americanas e as 13 províncias e territórios canadenses no primeiro semestre de 2026.
Alberta lidera com folga, e o Canadá concentra sua dependência
No lado canadense, 56,6% do comércio internacional de bens foi feito com os Estados Unidos no período analisado. O número agregado esconde uma dispersão de quase 80 pontos percentuais. Quatro províncias superam a marca de 70%: Alberta (78,2%), Nova Brunswick (74,3%), Manitoba (72,7%) e Ilha do Príncipe Eduardo (70,2%). São economias bastante distintas, mas que compartilham rotas limitadas para compradores fora do mercado americano.
Alberta é o caso mais extremo, com 78,2% de participação e US$ 66,19 bilhões em comércio de bens com os Estados Unidos. O Global Affairs Canada aponta a infraestrutura de dutos e transporte orientada ao país vizinho como razão central dessa dependência. A expansão do Trans Mountain abriu capacidade adicional para mercados ultramarinos, mas o petróleo transportado por dutos é mais difícil de redirecionar do que a maior parte das demais cargas. Manitoba (72,7%) e Saskatchewan (62,7%) também são sem litoral, com ferrovias e rodovias construídas sobretudo no eixo norte-sul.
Acesso ao oceano não garante diversificação
Províncias com portos relevantes não escapam necessariamente dessa concentração. A Colúmbia Britânica, cujo Porto de Vancouver mira a Ásia, ainda realiza 38,8% do seu comércio internacional de bens com os Estados Unidos. A Nova Escócia registra a menor fatia entre as províncias, 26,6%, seguida por Terra Nova e Labrador, com 28,3%. Nos Territórios do Noroeste o indicador é de 0,9%, e em Nunavut, de 0,0%.
Nova Brunswick é o contraexemplo mais claro. A província tem capacidade de águas profundas em Saint John e, ainda assim, ocupa o segundo lugar do ranking, com 74,3%. Cerca de 91,3% das exportações da província têm os Estados Unidos como destino, a maior proporção do país. A refinaria da Irving Oil instalada ali é a maior do Canadá, e mais da metade da produção refinada segue por via marítima para o Nordeste americano.
Nos Estados Unidos, a dependência é um fenômeno de fronteira
A relação é assimétrica. Para o Canadá, os Estados Unidos respondem por 56,6% do comércio internacional de bens; para os americanos, o país vizinho representa aproximadamente um em cada oito dólares do comércio internacional de bens. Apenas quatro estados realizam mais da metade desse comércio com o Canadá, enquanto 19 dos 50 ficam abaixo de 10%.
Os quatro estados majoritários são Dakota do Norte (77,8%), Montana (73,2%), Maine (65,1%) e Vermont (53,7%), todos na fronteira. A proximidade, porém, não determina a participação. Nova York registra 11,1%, enquanto Washington chega a 19,7%. Entre os estados sem fronteira canadense, a Virgínia Ocidental lidera, com 45,0%, seguida por Dakota do Sul (43,5%) e Oklahoma (40,9%), todos à frente de Michigan (29,6%) e de Washington.
Participação e valor contam histórias diferentes
Uma leitura relevante é a diferença entre percentual e volume financeiro. Michigan tem 29,6% do seu comércio internacional de bens com o Canadá, mais de quatro vezes a fatia do Texas, de 6,9%. Ainda assim, os dois estados movimentaram valores comparáveis no primeiro semestre de 2026: cerca de US$ 34 bilhões e US$ 37 bilhões, respectivamente. Exposição relativa e exposição absoluta, portanto, não caminham juntas, o que importa quando se avalia o alcance de mudanças na política tarifária.
Ontário ilustra a mesma dualidade no lado canadense: com 54,5% de participação, concentra US$ 158,36 bilhões em comércio de bens com os Estados Unidos, o maior valor entre as províncias. Quebec aparece com 49,6%, e a Colúmbia Britânica, com 38,8%. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.
O retrato do primeiro semestre de 2026 mostra um padrão em que a dependência comercial acompanha a infraestrutura construída ao longo de décadas, e não apenas a vizinhança geográfica. Províncias e estados com rotas alternativas consolidadas conseguem diluir a participação americana, enquanto economias cujo escoamento foi desenhado para o mercado vizinho permanecem mais expostas a ele.
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