De JBS a Eurofarma, governo leva empresários para discutir negócios na Venezuela 

Uma delegação de empresários brasileiros se reuniu com autoridades da Venezuela nesta semana para apresentar produtos e serviços e tentar capturar a retomada econômica do país vizinho. 

Representantes de cerca de 30 empresas brasileiras, incluindo JBS e Embraer, foram convocados pela Apex-Brasil e pela embaixada brasileira em Caracas para encontros na terça e na quarta-feira com autoridades de alto escalão do governo venezuelano e grupos empresariais locais, segundo pessoas familiarizadas com os planos.

Alguns dos executivos se reuniram na terça-feira com Calixto Ortega, vice-presidente para a área econômica da Venezuela, disse uma das fontes. A Embraer, porém, não enviou representantes aos encontros, informou um porta-voz da companhia à Bloomberg.

A visita reforça os esforços do governo Luiz Inácio Lula da Silva para aprofundar os laços econômicos com a Venezuela depois de anos de estagnação comercial. 

O comércio bilateral totalizou cerca de US$ 837 milhões no ano passado, bem abaixo do pico de US$ 5,1 bilhões registrado em 2008, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Outros vizinhos da Venezuela, especialmente a Colômbia, também buscam reconstruir relações comerciais e de investimento com o país.

A JBS não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

Os encontros foram organizados pela embaixada do Brasil em Caracas e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

A lista de convidados brasileiros incluía uma fabricante de cimento, a fabricante de tubos de aço Tenaris, a produtora de petróleo PetroReconcavo, as farmacêuticas Biolab e Eurofarma, além das montadoras Toyota, General Motors e Scania, de acordo com as fontes. Não estava claro de imediato quais empresas efetivamente participaram das reuniões.

Também foram convidados grupos setoriais como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), as entidades de produtores de arroz e grãos Abiarroz e Ibrafe, além dos setores de autopeças e máquinas representados por Sindipeças e Abimaq.

“A Venezuela já foi um importante parceiro comercial do Brasil”, afirmou Julio Ramos, diretor de Assuntos Estratégicos da Abiec. “Por isso, enxergamos este momento como uma oportunidade de recomeço: um novo capítulo nas relações entre Brasil e Venezuela, especialmente para a carne bovina brasileira.”

Alguns executivos do setor de carne aproveitaram a viagem para avaliar terras venezuelanas destinadas à criação de gado, segundo uma das fontes.

O comércio bilateral cresceu rapidamente nos anos 2000, nos governos de Lula e do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, impulsionado pela afinidade política e pelo aumento da demanda venezuelana por alimentos e produtos manufaturados brasileiros. Desde então, os fluxos comerciais encolheram em razão da crise econômica da Venezuela e das sanções internacionais que afetaram a atividade do país.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços encaminhou os questionamentos ao Ministério das Relações Exteriores, que não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. O Ministério da Informação da Venezuela, responsável por atender a imprensa, também não respondeu.

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