D. Nuno Brás pede que São Tomé e Príncipe seja “terra fértil” na fé durante Missa de encerramento das comemorações da independência
As comemorações do 51.º aniversário da Independência de São Tomé e Príncipe, realizadas este fim de semana na Madeira, encerraram no domingo, 12 de julho, com uma Missa de Ação de Graças na Sé do Funchal, presidida pelo Bispo do Funchal, D. Nuno Brás. Na homilia, o prelado desejou que o povo são-tomense continue a dar fruto não apenas no desenvolvimento do país, mas também na vivência da fé e no testemunho do Evangelho.
Inspirando-se na parábola do semeador, proclamada nesse domingo, D. Nuno Brás recordou que o próprio Jesus explica as diferentes formas como a Palavra de Deus é acolhida pelos homens.
“O que todos pedimos é esta graça grande de sermos a boa terra, onde a Palavra de Deus pode verdadeiramente dar fruto. Pedimos a graça de escutar, acolher, compreender e viver a Palavra de Deus”, afirmou.
O bispo alargou depois esse desejo à sociedade, referindo-se quer à Madeira quer a São Tomé e Príncipe.
“No fundo, aquilo que pedimos para cada um de nós podemos e devemos também pedir para a sociedade em que vivemos”, disse, acrescentando que a Madeira procura ser “uma boa terra onde a Palavra de Deus é acolhida e vivida”.
Dirigindo-se à delegação são-tomense presente na celebração, D. Nuno Brás recordou os antigos laços históricos entre os dois arquipélagos.
“Conhecendo São Tomé, sei que é uma terra onde as sementes produzem habitualmente cem. Uma terra abençoada por Deus, uma terra onde tudo dá fruto. Mas queremos pedir não apenas que a terra dê fruto. Queremos perguntar também: e nós? Será que damos fruto?”
O prelado evocou ainda a ligação histórica entre a Diocese do Funchal e São Tomé e Príncipe, lembrando que, durante os primeiros tempos da expansão portuguesa, aquele território integrou a Diocese do Funchal.
“Ligam-nos laços de maternidade e de fraternidade. São Tomé fez parte da Diocese do Funchal durante vários anos e continuamos unidos por esta amizade”, afirmou, recordando também anteriores iniciativas de solidariedade da Diocese do Funchal para com a Igreja são-tomense.
No final da homilia deixou um voto para o futuro daquele país lusófono: “Queremos pedir para o povo são-tomense esta graça muito grande: que seja capaz não apenas de dar fruto na terra e na economia, mas também nas relações entre as pessoas e, sobretudo, na relação com Deus. Que seja capaz de acolher a Palavra de Deus, dar fruto e constituir, no meio dos países que o rodeiam, um testemunho da verdade do Evangelho.”
A celebração marcou o encerramento das comemorações oficiais do 51.º aniversário da Independência da República Democrática de São Tomé e Príncipe, organizadas pela Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal e pelo Governo Regional da Madeira.
O programa incluiu, na sexta-feira, a inauguração do Consulado Honorário de São Tomé e Príncipe na Madeira, um passo considerado importante para o reforço das relações institucionais entre os dois territórios, bem como uma conferência na Universidade da Madeira dedicada às oportunidades de investimento e cooperação económica.
O momento central das comemorações aconteceu no sábado, no Parque Urbano da Nazaré, com uma grande festa aberta ao público que reuniu desporto, gastronomia, música e manifestações culturais dos dois arquipélagos. Entre os destaques estiveram a apresentação do tradicional Tchiloli, atuações de artistas são-tomenses, danças e contos populares, bem como um bailinho madeirense, simbolizando o encontro de duas culturas unidas pela língua portuguesa e por uma longa história comum.
Em declarações ao Jornal da Madeira, o embaixador de São Tomé e Príncipe em Portugal, Esterline Gonçalves Género, explicou que a escolha da Madeira para acolher as comemorações foi uma decisão estratégica, destinada a reforçar uma relação que considera histórica e natural.
“Saímos institucionalmente da Madeira há dezoito anos e entendemos que era tempo de regressar. Não apenas pelo número de são-tomenses que aqui vivem, mas porque temos muitos elementos em comum. Somos dois arquipélagos atlânticos e, como hoje recordou o senhor bispo, também temos uma ligação religiosa muito forte.”
O diplomata acrescentou que a abertura do Consulado Honorário representa precisamente essa vontade de estreitar relações.
“Viemos à Madeira numa escolha estratégica, para encurtar distâncias, porque há muito mais que nos une do que aquilo que nos separa. A abertura do consulado pretende dar uma resposta à nossa comunidade e identificar novas oportunidades para reforçar a cooperação entre São Tomé e Príncipe e a Madeira.”
Referindo-se à celebração eucarística que encerrou as comemorações, o embaixador explicou que fazia todo o sentido concluir estes dias de festa na Sé do Funchal.
“Mais de 90 por cento da nossa comunidade é cristã. Por isso entendemos que não podíamos terminar estas comemorações sem este encontro com Deus. Somos muito gratos pela mensagem que o senhor bispo nos deixou, desafiando-nos a sermos terra fértil. É uma mensagem importante para todos os níveis da vida do nosso país.”












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