Concerto em Lisboa com artistas guineenses lembrará o legado de José Carlos e Teresa Schwarz

Lisboa – Um concerto de homenagem ao legado cultural dos artistas guineenses e à sua luta pela independência da Guiné-Bissau, José Carlos Schwarz e Teresa Schwarz, acontecerá em Lisboa, no dia 25 de Setembro, e juntará três artistas guineenses: Remna Schwarz, Karyna Gomes e Manecas Costa.

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O presidente da Fundação José Carlos Schwarz (FJCS), Remna Schwarz, destacou que o artista guineense teve um grande impacto na Guiné-Bissau no período da independência, ao criar “uma música moderna”, que combinava ritmos tradicionais e contemporâneos, permitindo transmitir “a força da palavra dos revolucionários e de Amílcar Cabral para reivindicar os direitos do povo” guineense.

Sobre a escritora Teresa Schwarz, que foi esposa do artista guineense, o presidente e filho dos artistas lembrou que teve um papel fundamental como “lutadora pela independência”.

Nesta altura, ela não estava pronta a ser artista, mas foi uma acompanhante e não podemos esquecer o valor acrescentado durante essa luta pela libertação com as mulheres”, declarou, destacando o papel feminino como “força motriz” do processo de libertação.

Teresa Schwarz, durante o seu percurso artístico, foi influenciada por José Carlos Schwarz, tendo criado a Fundação “para ajudar pessoas que querem entrar dentro da cultura e querem expressar-se através da arte, mas de uma forma construtiva pela nação”.

A Teresa Schwarz é cabo-verdiana, mas ela depois foi completamente conquistada pela Guiné-Bissau e recebeu as honras, enquanto lutadora pela independência, e a sua nacionalidade guineense também. Ela sempre lutou e viveu pela Guiné-Bissau e estava nos últimos anos da sua vida [no país].

Questionado sobre a influência destes artistas nas novas gerações, Remna Schwarz citou os casos de Manecas Costa, que atribui a sua maneira de tocar guitarra a José Carlos Schwarz, e Karyna Gomes, que é influenciada por ambos no plano musical e nas suas posições sobre a liberdade, a independência e a força das mulheres na Guiné-Bissau e na sociedade civil.

O espectáculo reúne em palco os artistas guineenses Remna Schwarz, Karyna Gomes e Manecas Costa, no B.leza, em Lisboa, espaço classificado pelo presidente da Fundação como um “sítio mítico” e o local ideal para esta manifestação cultural, por ser um ponto “de cruzamento das línguas africanas portuguesas e aberto a outras culturas”.

Vamos tentar fazer um concerto muito especial em termos de reinterpretação da forma mais autêntica do repertório de José Carlos Schwarz”, declarou, concluindo que a iniciativa é importante porque demonstra que a Guiné-Bissau tem “uma grande obra e uma grande musicalidade”.

Os três nomes mencionados fazem parte da geração de muitos artistas da Guiné-Bissau que foram influenciados pela obra de José Carlos Schwarz e juntam-se pela terceira vez para homenagear o seu trabalho discográfico.”

A primeira foi em Faro, sob a curadoria de Kalaf Epalanga, e a segunda no festival Língua Terra, segundo a organização do evento, acrescentando que “a luta da libertação deu fruto a uma nova geração de músicos com os olhos mais abertos no contexto sociopolítico”.

Além deste concerto, a Fundação José Carlos Schwarz, no âmbito das comemorações da independência da Guiné-Bissau, autoproclamada em 24 de Setembro de 1973, vai realizar outras iniciativas, que incluem leituras de poemas e de trechos das obras literárias de Teresa Schwarz, em parceria com a Casa da Cultura da Guiné-Bissau.

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