A principal fase da colisão tectônica entre a América Central e a América do Sul pode ter acontecido milhões de anos antes do que os cientistas estimavam. A conclusão vem de um estudo publicado na revista Earth and Planetary Physics, que analisou rochas vulcânicas encontradas na Colômbia em busca de evidências sobre a evolução geológica da região.
Segundo a pesquisa, conduzida por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências, os eventos mais importantes relacionados à colisão ocorreram principalmente entre o Oligoceno e o Mioceno Médio. Os resultados indicam ainda que a deformação mais intensa da crosta terrestre já havia diminuído há cerca de 10 milhões de anos.
Rochas preservaram sinais de movimentos tectônicos
Para reconstruir a história geológica da região, os pesquisadores estudaram rochas vulcânicas da Província Vulcânica de Combia, localizada nos Andes do Norte da Colômbia. Os materiais analisados se formaram entre aproximadamente 12 milhões e 6 milhões de anos atrás.
A equipe utilizou uma técnica chamada análise de fábrica magnética, que examina a orientação dos minerais magnéticos presentes nas rochas. O método permite verificar se a estrutura interna dos materiais permaneceu preservada desde a formação do magma ou se sofreu alterações provocadas por movimentos das placas tectônicas.
De acordo com os autores, a maior parte das rochas analisadas manteve suas características magnéticas originais. Isso indica que elas passaram por pouca ou nenhuma deformação tectônica significativa durante o Mioceno Superior.
Embora alguns locais apresentassem sinais de compressão, esses efeitos eram limitados e estavam restritos a áreas específicas. Para os pesquisadores, o resultado indica que o período de maior encurtamento da crosta terrestre associado à colisão já havia praticamente terminado quando essas rochas se formaram.
Nova cronologia da colisão
Com base nos resultados, a fase mais intensa da colisão entre a América Central e a América do Sul teria ocorrido principalmente entre o Oligoceno e o Mioceno Médio, e não durante o Mioceno Superior, como indicavam interpretações anteriores.
A descoberta pode ajudar a refinar os modelos sobre a formação dos Andes do Norte e sobre a evolução tectônica das Américas. O trabalho também demonstra o potencial da análise de estruturas magnéticas presentes em rochas vulcânicas para reconstruir processos tectônicos antigos, especialmente em regiões onde outros registros geológicos são limitados.
Para os pesquisadores, compreender quando ocorreram essas grandes interações entre placas tectônicas é fundamental para explicar a formação das cadeias montanhosas e a evolução geológica do continente americano.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes
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