Carlos Vila Nova reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe à primeira volta com 55,94% dos votos

Carlos Vila Nova foi reeleito este Domingo Presidente de São Tomé e Príncipe à primeira volta, ao conquistar 55,94% dos votos, assegurando um novo mandato de cinco anos e reforçando a sua legitimidade política, em eleições marcadas por forte polarização, mas que decorreram sem incidentes de maior.

Os resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN) atribuem ao actual chefe de Estado 55,94% dos votos, suficiente para evitar uma segunda volta. O principal adversário, Nito d’Abreu, recolheu 41,92%, enquanto Eugénio Tiny e Miques João obtiveram, respectivamente, 1,07% e 1,58%, mantendo um peso residual na disputa presidencial.

A vitória assume particular relevância por ter sido alcançada sem o apoio oficial da Ação Democrática Independente (ADI), partido que sustentou a eleição de Carlos Vila Nova em 2021.

Desta vez, o Presidente recandidatou-se apoiado por uma plataforma que reuniu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Partido Nossa Terra e uma ala dissidente da própria ADI.

Presidente reeleito quer contar com todos

Na reacção aos resultados, Carlos Vila Nova classificou o desfecho eleitoral como “uma vitória clara” e procurou assumir um discurso de unidade nacional.

“Aos que fizeram uma escolha diferente, deixo uma palavra muito especial: não os vejo como adversários a vencer, mas como compatriotas com quem construiremos o futuro da nação”, afirmou.

O Presidente reeleito garantiu que “a partir deste momento não há vencedores nem vencidos” e defendeu que o país deve “virar a página da divisão, do ressentimento, da perseguição e do discurso do ódio”.

Numa conferência de imprensa na sede da candidatura, assegurou igualmente que a pacificação social será uma das prioridades do novo mandato.

“Não haverá desenvolvimento económico sem estabilidade social, não haverá progresso sem unidade social. Estenderei a mão a todas as forças políticas, às Igrejas, aos jovens, às mulheres, aos trabalhadores, aos empresários, à diáspora e à sociedade civil”, declarou.

Carlos Vila Nova acrescentou que recebe o resultado “com humildade e responsabilidade”, considerando que o acto eleitoral demonstrou a maturidade democrática do país.

“O nosso povo voltou a demonstrar que São Tomé e Príncipe sabe resolver as suas diferenças pelo poder do voto e nunca pela força da violência”, afirmou, prometendo cumprir o novo mandato com respeito pela Constituição e um compromisso renovado com os cidadãos.

O principal adversário de Vila Nova foi Nito d’Abreu, líder parlamentar da ADI e candidato apoiado pela ala do partido fiel ao antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada, cujo Governo foi demitido pelo chefe de Estado em Janeiro de 2025.

A sua candidatura contou ainda com o apoio do Movimento de Cidadãos Independentes – Partido Socialista (MCI – Partido Socialista), do Partido de Unidade Nacional (PUN) e do Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP).

Mais de 142 mil eleitores foram chamados às urnas numas eleições acompanhadas por missões internacionais de observação, incluindo representantes da União Europeia, União Africana, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), CEEAC, G-7+ e da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).

Segundo a CEN, o recenseamento eleitoral contabilizou 142.191 eleitores, dos quais 121.670 residentes em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora.

*Com Lusa

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