Cão salvou vidas na Venezuela. Dois meses depois, ninguém sabe o que tem

Um cão da raça labrador que participou nas missões de resgate levadas a cabo na Venezuela, depois do duplo sismo que vitimou pelo menos 6.509 pessoas, a 24 de junho, adoeceu cerca de 48 horas depois de ter regressado a casa, em Valência, em Espanha. Volvidos dois meses, os veterinários ainda não conseguiram diagnosticar Quino, cujo estado de saúde continua a deteriorar-se.

O patudo, que integrava o contingente formado por bombeiros e cães de resgate da ONG Intervenção, Ajuda e Emergências (IAE) de Algemesí, em Valência, passou uma semana a tentar encontrar pessoas desaparecidas e em apuros, no rescaldo da catástrofe natural. Cerca de três dias depois de a equipa ter regressado a casa, Quino adoeceu.

“Começou a sangrar muito pelo nariz; levámo-lo ao veterinário e estão a fazer-lhe transfusões para o estabilizar mas, passados poucos dias, volta a sangrar”, contou o bombeiro Moisés Benlloch à Telecinco.

Nos últimos dois meses, o estado de saúde de Quino agravou-se. Aliás, os veterinários ainda não diagnosticaram o patudo.

“Vários veterinários examinaram-no; também contactámos especialistas da Universidade do CEU, onde lhe fizeram inúmeros exames e recolheram amostras que foram enviadas para a Universidade de Barcelona para análise mas, no final, não conseguiram descobrir nada. Disseram-nos que já não podem fazer mais nada e agora estamos a tentar com veterinários da Universidade Católica. […] Enquanto não descobrirem o que se passa com ele, não lhe podem dar uma solução e também não podemos saber se está relacionado com algo que ele possa ter contraído na Venezuela”, complementou.

O responsável assinalou que, “de um modo geral, as zonas de trabalho costumam estar controladas, mas pode sempre haver alguma circunstância que não se consiga ter em conta ou que passe despercebida”. 

Enquanto os socorristas aguardam uma solução, o bombeiro que trabalha com Quino desde que era um cachorro não se afasta dele.

“É um cão com um grande potencial. Esperamos que descubram em breve o que se passa com ele, porque está num dos seus melhores momentos para trabalhar em situações de emergência e ajudar-nos a resgatar mais pessoas”, disse Pancho Gerber.

O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela, Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.

Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos. Entre as vítimas mortais há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

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