Cabo Verde promove no sábado uma campanha de limpeza em todo o território, abrangendo os 22 municípios, para eliminar focos do mosquito transmissor da dengue e da malária, numa iniciativa que junta Governo, autarquias e sociedade civil
A iniciativa, que decorre no sábado, foi anunciada hoje pelo ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, na cidade da Praia, após uma reunião com o presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde (ANMCV). O governante sublinhou que a mobilização, coordenada por uma comissão interministerial liderada pelo primeiro-ministro, Francisco Carvalho, surge num momento crítico, já que a época das chuvas – que normalmente se estende de julho a outubro – está a começar e com ela a proliferação dos insetos.
Lúcio Fernandes fez questão de salientar que o êxito desta luta antivetorial depende do envolvimento de cada cidadão. “Todos temos consciência dos problemas que temos enfrentado com as doenças transmitidas por vetores, nomeadamente o paludismo e a dengue, no último ano”, afirmou, apelando à eliminação de águas paradas perto das casas, à retirada de garrafas e outros recipientes que possam servir de criadouros e à vedação adequada de cisternas. O ministro recordou que, embora o arquipélago tenha recebido, em janeiro de 2024, o certificado de país livre de malária pela Organização Mundial da Saúde, esse estatuto exige vigilância permanente. Em 2025, foram registados cerca de 400 casos de dengue e uma centena de malária, entretanto todos resolvidos, números que justificam a antecipação das medidas.
O plano em execução prevê a identificação das zonas mais vulneráveis, onde as ações de limpeza serão mais intensas, e conta com a participação de vários ministérios – Finanças, Ambiente e Agricultura –, além das Forças Armadas, da Cruz Vermelha, das delegações de saúde e, claro, das câmaras municipais. O presidente da ANMCV, Fábio Vieira, garantiu que já estão em curso contactos com todos os autarcas para acertar a logística, embora tenha reconhecido que as autarquias enfrentam constrangimentos, designadamente com depósitos de água, poços e lixeiras a céu aberto, o que exige um reforço das campanhas de sensibilização para que a população adira em força.
Cabo Verde quer manter o título de país livre de malária e, com esta ação, espera reduzir o risco de propagação da dengue antes que o aumento da pluviosidade crie condições ideais para a reprodução dos mosquitos. A ideia é que, com um esforço concentrado, seja possível travar a cadeia de transmissão e evitar a repetição dos surtos que afetaram o país no ano passado.
NR/HN/Lusa
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