Em Cabo Verde, o Governo vai reforçar a política nacional de cuidados e promover medidas que facilitem a conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal. O anúncio foi feito pela ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adélsia Almeida.
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O trabalho doméstico não remunerado continua a ser assegurado maioritariamente pelas mulheres, independentemente da idade, nível de escolaridade ou rendimento. De acordo com um relatório elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), 88,4% das mulheres realizam trabalho não remunerado, contra 67,9% dos homens.
Perante estes dados, a ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho anunciou que o Governo pretende reforçar a política nacional de cuidados através do alargamento da rede de creches, da melhoria dos centros de dia e da implementação de medidas de conciliação entre a vida profissional e familiar.
“Reconhecemos os cuidados não como uma responsabilidade exclusiva das famílias, e muito menos das mulheres, mas como investimentos sociais e económicos essenciais para o bem-estar, a produtividade e a coesão social. Neste quadro, reforçaremos progressivamente a política nacional de cuidados”, afirmou Adélsia Almeida.
Durante a apresentação pública do relatório “Uso do Tempo e Trabalho Não Remunerado”, a governante destacou ainda que o trabalho não remunerado representa cerca de 9,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, correspondendo a aproximadamente 27,2 milhões de escudos anuais.
Segundo a ministra, este valor continua ausente das contas oficiais do país, apesar da sua importância para o funcionamento da economia e da sociedade.
“Isto demonstra que uma parte significativa da riqueza produzida no país continua invisível nas contas nacionais, apesar de ser indispensável para o funcionamento da economia e da sociedade”, sublinhou Adélsia Almeida.
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