Brasil lidera aumento de gastos militares na América Latina em 2025 com alta de 13%, aponta relatório internacional

O Brasil foi o país da América Latina que mais ampliou seus investimentos em defesa em 2025, com crescimento de 13% nas despesas militares, totalizando US$ 23,9 bilhões (R$ 119,6 bilhões), conforme relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo. Os dados foram divulgados na segunda-feira (27/04/2026) e indicam que o aumento ocorre em um contexto de elevação global dos gastos militares.

No cenário internacional, os investimentos em defesa somaram aproximadamente US$ 2,9 trilhões (R$ 14,5 trilhões) no mesmo período, marcando o 11º ano consecutivo de crescimento desde o fim da Guerra Fria. O relatório aponta que a ampliação está associada à intensificação de conflitos e tensões geopolíticas.

Entre os países com maiores despesas militares no mundo, o Brasil ocupa a 21ª posição, seguido por Colômbia (29ª) e México (30ª), consolidando-se como o principal destaque regional em termos de crescimento proporcional.

América do Sul e cenário regional

Na América do Sul, o relatório também destaca o crescimento de 16% nos gastos militares da Guiana, que alcançaram US$ 248 milhões (R$ 1,24 bilhão) em 2025, impulsionados por tensões territoriais relacionadas à região de Essequibo. Já os dados da Venezuela não foram divulgados devido à ausência de informações oficiais.

No conjunto da região sul-americana, os investimentos militares somaram US$ 56,3 bilhões (R$ 282 bilhões), representando alta de 3,4% em relação a 2024. O desempenho brasileiro foi determinante para esse avanço.

Na América Central e no Caribe, houve movimento contrário, com queda de 27% nos gastos, totalizando US$ 17,1 bilhões (R$ 85,6 bilhões), influenciada principalmente pela redução nas despesas do México.

Crescimento global impulsionado por conflitos

O relatório indica que o crescimento global foi impulsionado principalmente pela Europa e pela Ásia. Apesar de uma queda de 7,5% nos gastos dos Estados Unidos, o aumento em outras regiões compensou essa retração.

A Europa registrou alta de 14% nas despesas militares, totalizando US$ 864 bilhões (R$ 4,3 trilhões), influenciada pela guerra na Ucrânia e pela reconfiguração das responsabilidades de defesa entre países aliados.

Entre os destaques europeus, a Alemanha ampliou seus investimentos em 24%, enquanto a Espanha registrou crescimento de 50%, ultrapassando o patamar de 2% do PIB destinado à defesa.

Ásia, Oriente Médio e tendências globais

Na Ásia-Oceania, os gastos militares atingiram US$ 681 bilhões (R$ 3,41 trilhões), com crescimento de 8,5%, impulsionado principalmente pela expansão contínua dos investimentos da China, que somaram US$ 336 bilhões (R$ 1,68 trilhão).

O relatório também aponta que países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan ampliaram seus investimentos em resposta à percepção de riscos regionais.

No Oriente Médio, os gastos apresentaram estabilidade, com leve alta de 0,1%, totalizando US$ 218 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão), apesar de reduções registradas em Israel e Irã.

Tendência de alta contínua

O estudo destaca que a proporção do Produto Interno Bruto global destinada à defesa atingiu o nível mais alto desde 2009. Os três maiores investidores — Estados Unidos, China e Rússia — concentram mais da metade dos gastos militares mundiais, somando US$ 1,48 trilhão (R$ 7,4 trilhões).

Segundo especialistas, a continuidade de conflitos e disputas geopolíticas deve manter a tendência de crescimento nos próximos anos, com impacto direto sobre políticas de defesa e segurança internacional.

*Com informações da RFI.

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