Bonito CineSur premia os destaques do cinema sul-americano em 2026

Por Ana Claudia Paixão

O 4º Bonito CineSur encerrou sua edição de 2026 com a entrega do Troféu Pantanal aos vencedores das mostras competitivas e a confirmação de que, em apenas quatro anos, o festival já conquistou um espaço importante no calendário audiovisual do continente.

Realizado em Bonito, Mato Grosso do Sul, o evento reuniu filmes, artistas e realizadores de diferentes países em uma programação gratuita dedicada ao cinema sul-americano, à produção regional e às questões ambientais.

Realizado em Bonito (MS), o evento reuniu filmes, artistas e realizadores de diferentes países

Imagem: Fotografando bonito

A edição recebeu o número recorde de 905 filmes inscritos, diante dos 657 registrados em seu primeiro ano, e selecionou 32 produções de dez países: Brasil, Argentina, Peru, Paraguai, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Equador e Chile.

Mais de 150 convidados nacionais e internacionais participaram das exibições, debates, oficinas e encontros realizados durante o festival.

Para Nilson Santos, idealizador e diretor do Bonito CineSur, a localização do evento também faz parte de sua identidade. “Bonito está no coração da América do Sul.

Faz fronteira com dois países e o festival tinha que ser feito aqui. Estamos construindo, aos poucos, um território de encontro dessas cinematografias sul-americanas”, afirmou.

Na votação do júri popular, “Higa Ke – Olho por Olho”, de Conrado Roel, foi escolhido como melhor filme sul-mato-grossense. Entre os filmes ambientais, o curta equatoriano “Buen Vivir – Ñutse Canseye”, dirigido por Zoé Kugler, venceu sua categoria, enquanto o longa colombiano “Páramos II: El Origen”, de Alejandro Calderón, recebeu o prêmio do público.

O brasileiro “A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca”, dirigido por Andrews Nascimento, foi eleito o melhor curta-metragem sul-americano. Entre os longas, o público premiou “Naira”, produção peruana dirigida por Gabriela Quiroz.

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Mais de 150 convidados nacionais e internacionais participaram das exibições, debates, oficinas e encontros realizados durante o festival

Imagem: Fotografando bonito

As escolhas do júri oficial foram diferentes em parte das categorias. “Natasha”, dirigido por Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Thiago Rotta e Rafael Rotta, venceu como melhor filme sul-mato-grossense. “Quatro Luas Pantaneiras”, de Ana Carla Loureiro, recebeu menção honrosa.

Na competição de cinema ambiental, o curta vencedor foi “Hipopótamos, el arca de Escobar”, da Colômbia, dirigido por Alejandro Calderón. O cineasta também conquistou o prêmio de melhor longa ambiental com “Páramos II: El Origen”, que terminou o festival consagrado tanto pelo júri oficial quanto pelo público.

O colombiano “Sukua”, dirigido por Omar E. Ospina, venceu como melhor curta sul-americano. O principal prêmio entre os longas ficou com “¿Quién Mató a Narciso?”, do paraguaio Marcelo Martinessi, representado no festival pelo protagonista Diro Romero. “Naira” recebeu ainda uma menção honrosa pela atuação da jovem protagonista e de seu parceiro.

Baseado em um caso real ocorrido em Assunção, em 1959, “¿Quién Mató a Narciso?” recupera a história de um personagem conhecido no Paraguai e atravessado pelo início de uma das mais longas ditaduras da América Latina. Para Diro Romero, interpretar Narciso foi mais do que conquistar um papel.

“Eu gosto de pensar que Narciso chegou até mim. Quando surgiu a convocação para o elenco, senti que era a oportunidade de interpretar um personagem histórico, alguém que realmente representa toda uma comunidade”, contou o ator.

Romero acredita que o filme também encontrará identificação fora do Paraguai por retratar experiências compartilhadas por diferentes países do continente.

“O filme mostra uma sociedade de 1959 com a qual muitos latino-americanos poderão se identificar. Temos muito em comum. Essa etapa da história do Paraguai também se repetiu em vários países da América Latina”, afirmou.

A edição de 2026 também homenageou a atriz chilena Paulina García, o cineasta argentino Luis Puenzo e o documentarista Vincent Carelli. Ao reunir produção regional, cinema ambiental e filmes de quase toda a América do Sul, o Bonito CineSur encerrou sua quarta edição mostrando que sua maior conquista talvez esteja além dos troféus: criar um ponto de encontro para cinematografias que, apesar da proximidade geográfica e histórica, ainda enfrentam dificuldades para atravessar as fronteiras do próprio continente.

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Imagem: Divulgação


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