Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”

Chamam-lhe Route 66, mas engane-se quem espera encontrar algo parecido com o Arizona, nos EUA. É antes uma faixa de estrada empedrada que liga Rabil às aldeias do norte da Boa Vista, assim batizada pelo turismo. A estrada atravessa uma paisagem árida que parece ter sobrado do resto de Cabo Verde pois aqui não há verde. Há areia e vento.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

É Nilson Gomes, da Private Boa Vista Tours, quem nos conduz pelo interior da ilha e serve de fio condutor para o dia. Nasceu em Santo Antão, ilha vulcânica e verde que contrasta com a aridez da Boa Vista, e chegou aqui há mais de sete anos. Nunca mais saiu.

A primeira paragem é a Praia de Atalanta, onde os destroços do Cabo Santa Maria, um cargueiro espanhol encalhado em 1968, continuam meio enterrados na areia. “Mais uns anos e já não vão estar ali”, diz-nos o guia, referindo-se ao efeito da erosão que a força contínua das ondas tem feito naquele que é um dos cartões de visita da ilha, encolhendo de ano para ano.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Este é um de mais de 60 navios que, segundo Nilson Gomes, ficaram presos nos recifes da Boa Vista ao longo dos séculos. Essas histórias estão reunidas no Museu dos Náufragos, em Sal Rei. Ali perto, um muro separa a praia do resto do terreno e o guia explica-nos que foi construído para proteger as salinas e ajudar a formar dunas artificiais, travando o vento.

Da praia, seguimos até ao deserto de Viana, que se estende por cinco quilómetros entre norte e sul, com dunas que avançam sobre a paisagem. E não pense que aqui tem solidão garantida. Pelo caminho, jovens percorrem as dunas a vender artesanato, entre pulseiras com a frase que resume a vivência cabo-verdiana, “No Stress”, ímãs ou pequenas tartarugas esculpidas.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Rumo às aldeias do Norte, a paisagem muda de figurantes e são os burros selvagens que dominam a berma da estrada, soltos aos pares ou em pequenos grupos, disseminados por praticamente toda a ilha. Pelo caminho, no cimo de uma colina, avista-se o 5ª do Norte, um restaurante inusitado no meio do caminho, onde vamos almoçar. Mas o destino final ainda não é esse.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

A estrada continua para João Galego, aldeia que se atravessa sem paragem, até Fundo das Figueiras, onde saímos do carro para caminhar um pouco. As casas coloridas, traço comum a várias povoações da Boa Vista, dão o pretexto para uma pausa, onde se aproveita para tomar uma bebida fresca antes de seguir viagem, num dos cafés da zona.

Private Boa Vista Tours

Os passeios de 4×4 estão entre as atividades mais procuradas da ilha. Há opções de meio dia pelo norte ou sul da Boa Vista (4 horas desde 45€), excursões de dia inteiro para conhecer os principais pontos de interesse (7 horas desde 60€) e percursos de leste a oeste (7 a 8 horas desde 60€). Durante a época de desova, também é possível participar em saídas noturnas para observação de tartarugas marinhas (3 a 5 horas desde 50€).

📍 Sal Rei, Boa Vista, Cabo Verde
📞 WhatsApp: +238 91 999 97
✉️ booking@privateboavistatours.cv
📱 Instagram: @privateboavistatours
🔵 Facebook: @privateboavistatours

O destino final é a povoação de Cabeça dos Tarafes, que não estava no roteiro inicial, mas a dica veio de quem nos servia o pequeno-almoço no hotel, como algo que vale conhecer. É um gesto que em Cabo Verde tem nome: chamam-lhe morabeza, a disposição para abrir a porta de casa a quem passa e partilhar o que há, sem muitas perguntas. Foi essa morabeza que nos levou até à casa de Tina Ramos.

Aprendeu a fazer queijo com a avó, numa altura em que, “antigamente toda a gente fazia queijo”, diz. Hoje tem cerca de 40 cabras, o suficiente para manter a produção de duas variedades: simples, a 250 escudos (cerca de 2,30€), e o de malagueta, a 350 escudos (cerca de 3,20€). O marido, Jorge, trata do ponche, feito a partir de grogue de Santo Antão. As tábuas onde tudo é servido são obra do filho, talhadas em madeira de acácia.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

A casa está longe de ser apenas um ponto de paragem para provar queijo. É também o retrato de uma vida feita naquele território. Natural de Cabeça dos Tarafes, onde nasceu em 1953, Tina começou ainda criança a trabalhar no campo com a família e nunca se afastou dos animais e da produção artesanal. Ao longo dos anos, fez formação em várias áreas ligadas ao seu ofício, desde cozinha e primeiros socorros até boas práticas de ordenha, fabrico de queijo e melhoramento de raça, e passou também pela vida política e associativa da ilha, como deputada da Nação e membro do Conselho Deliberativo, entre outros cargos.

Os prémios em concursos de queijo e feiras agropecuárias da Boa Vista fazem parte do percurso, mas em Cabeça dos Tarafes a história percebe-se melhor à mesa, com aquilo que faz todos os dias: uma casa onde o queijo, o ponche e a conversa chegam à mesa sem cerimónias.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Seguimos caminho para o 5ª do Norte, no caminho da “route 66”. Tem ar de restaurante improvisado, com mesas sob um toldo para proteger do sol, e junto à entrada para a cozinha há uma mesa cheia de produtos, o mostruário do que ali se planta. Parte vai para venda, parte para os pratos que saem da cozinha. É Lutcha, o nome de casa de Maria da Luz Ramos, quem recebe e cozinha. “Estamos à espera de chuva”, explica, sobre as verduras que cultivam ali ao lado.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

A ementa do dia resume-se ao que a ilha dá, com pratos tradicionais como carne de cabra, carne de porco assada, búzio guisado ou peixe-bodião, acompanhados de arroz, legumes salteados e saladas variadas. Os pratos dispostos em cima da mesa funcionam como uma amostra do que se come na Boa Vista, com as carnes a ganhar sabor num pote ao lume enquanto cozinham. A comida pode parece modesta, mas sabor não falta.

No 5ª do Norte, o prato do dia custa entre 500 e 600 escudos (cerca de 4,50€ a 5,40€) afirma Lutcha entre idas e vindas da cozinha.

Depois do almoço, que se estendeu por horas, é tempo de seguir para a capital e trocar o 4×4 pela água. Embarcamos no catamarã da Sea Turtle rumo ao ilhéu de Sal Rei, exatamente no momento em que se dá o apito inicial do primeiro jogo de Portugal no Mundial, a 17 de junho, um pormenor que se torna presente a bordo, entre quem quer saber o resultado e quem prefere esquecer o que se passa por umas horas.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

A tripulação leva-nos primeiro a uma zona de snorkeling, com água transparente e uma temperatura agradável. Basta mergulhar a cabeça para ver os peixes a circular por baixo. Só depois seguimos até ao ilhéu, onde o catamarã ancora e o resto da tarde se passa entre a água e a areia, a ver o sol começar a descer. Mas não estamos sozinhos: chega um segundo barco, este com uma família local a bordo, que aproveita o mesmo pedaço de areia para passar a tarde, sinal de que o ilhéu não é só destino de turista, mas também um recanto onde quem vive na Boa Vista vai a banhos.

O dia fecha no Barceló Marine Boa Vista – Adults Only, o hotel que serve de base à viagem. Construído em pedra, como se fosse uma pequena aldeia sobre o promontório da Praia da Cruz, a poucos minutos a pé de Sal Rei, é o mais antigo da ilha. Inaugurado em 1997, é propriedade de investidores italianos, e passou por obras de renovação entre 2021 e 2025 até reabrir, já sob a bandeira Barceló e exclusivo para adultos, em maio de 2025.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Divulgação

Tem 160 quartos, uma escala que, segundo o hotel, permite uma operação mais controlada e um ambiente e com menor densidade de hóspedes. O hotel, além de trabalhar em regime tudo incluído, também disponibiliza pequeno-almoço.

Vânia Madureira, diretora do hotel, explica ao SAPO que nota diferença no perfil dos hóspedes, que muda com as estações, sendo mais jovem em junho, e um público mais velho a partir de novembro. Mas mantém-se sobretudo o turista europeu, entre eles alemães, franceses, ingleses e, desde novembro do ano passado, também portugueses, depois de a easyJet ter começado a ligar Lisboa e Porto à Boa Vista.

Há uma noite temática diária no hotel, e a quinta-feira é sempre a de Cabo Verde, com a cachupa a abrir caminho na mesa. Dentro do complexo, a praia fica a uma curta distância dos quartos e das zonas comuns, o que permite aos hóspedes passar do hotel para o areal sem necessidade de grandes caminhadas.

Na ilha, o grupo Barceló tem ainda o Occidental Boa Vista Beach, unidade de quatro estrelas, com vocação mais familiar, também em regime tudo incluído, instalada numa propriedade de 12 hectares junto à praia. No arquipélago, o primeiro hotel do grupo abriu em Santiago, e um novo está em construção no Sal.

Barceló Marine Boa Vista

📍 Praia da Cruz, 5110, Sal Rei, Boa Vista, Cabo Verde
 📞 +238 351 07 70
 ✉️marineboavista@barcelo.com

Preço médio entre 180€ e 350€ por noite para duas pessoas, em regime tudo incluído, dependendo da época e da tipologia de quarto. Exclusivo a adultos.

Entre a poeira da estrada e o Atlântico

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

O segundo dia começa num buggy da Quad Zone, rumo ao sul da ilha. A primeira paragem é o Morro de Areia uma reserva natural onde as dunas acompanham a costa e mergulham direto no Atlântico. É ali que os mais afoitos podem fazer sandboard, o ato de descer a areia solta numa prancha, a alta velocidade, com o mar como pano de fundo.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Mais à frente, encontra-se a Baía das Tartarugas, onde é possível avistar alguns destes animais a nadar junto à costa. Antes do almoço, uma última paragem nas Grutas da Praia da Varandinha, esculpidas pelo vento e pelo mar, e um mergulho no Atlântico já em frente ao Origens Santa Mónica, o restaurante onde vários grupos de turistas se juntam para tomar uma refeição.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

O espaço, com uma decoração em madeira e ar boho chic, abriu em 2025. Não é a experiência mais genuína da ilha, e isso nota-se na ementa, com os preços apresentados em euros. A carta é extensa, com entradas, carne, peixe, massas, opções vegetarianas e sobremesas como carpaccio (10€), tartare (10€), queijo de cabra grelhado (9€), sopa do dia (9€), bife de picanha com gorgonzola (26€), filé mignon (24€), filete de atum com molho kriolo (17€), arroz de polvo à cabo-verdiana (22€), lagosta fresca de Santa Mónica (48€), arroz de curry vegano de grão-de-bico (15€), esparguete vegetariano (15€).  As sobremesas, a 5€ cada, encontramos gelado Origens, Romeu e Julieta e pudim tradicional.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

À tarde, o roteiro segue para Povoação Velha, a localidade mais antiga da Boa Vista e capital da ilha até 1810. As ruas empedradas, ladeadas por casas coloridas, convidam a caminhar devagar, entre lojas de souvenirs e cafés.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Mais adiante, das janelas abertas de um edifício, ouvem-se brincadeiras de crianças. É a creche da povoação, sinal de que a vida ali continua a acontecer para além do turismo. Na praça central, o artesão Frank Brito recebe quem passa com um pequeno concerto de morna, o género musical do qual a Boa Vista é tida como berço. Perto dali uma escultura com uma guitarra em destaque presta homenagem a Maria Barba, nome pela qual é conhecida Maria da Purificação Pinheiro (1905-1974), uma das grandes figuras da morna cabo-verdiana, antes de Cesária Évora.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Depois da Povoação Velha, a última paragem do dia é o atelier de cerâmica de Francesca Rinaldi e Alcides Morais. “Preparamos a nossa própria argila”, explica Francesca, que nos recebe. O barro vem de um ribeiro próximo, sendo depois trabalhado e cozido em dois fornos a gás, entre 10 a 12 horas por fornada. A anfitriã explica que, ao contrário do que se faz em Portugal, não usam roda mas sim um protótipo para criar um molde de gesso onde depois replicam várias vezes a mesma peça.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Francesca é de Milão. Chegou a Cabo Verde em 2002 e está na Boa Vista desde 2008, depois de um último trabalho num banco de investimento em Itália. Aos 36 anos, farta da confusão e do stress da cidade, decidiu mudar de vida. “Nunca me arrependi”, afirma ao SAPO. Ela e o marido estão neste novo local desde 2020, e os souvenirs em barro começam em 1€, nas peças mais pequenas.

Quad Zone

A empresa organiza passeios de moto 4 e buggy por alguns dos locais mais conhecidos da Boa Vista, como Santa Mónica, o deserto de Viana ou o naufrágio do Cabo Santa Maria. Os passeios de moto 4 variam entre as duas e as seis horas, com preços desde 70€ por pessoa (2 horas, individual) até 170€ por veículo duplo no programa de dia inteiro. Já os passeios de buggy custam entre 125€ e 289€, consoante a duração e a lotação (dois ou quatro lugares).

Quem preferir explorar a ilha ao seu ritmo pode alugar uma moto 4 por 80€ (meio dia) ou 110€ (dia inteiro), enquanto uma scooter 125cc custa 35€ por dia e uma bicicleta elétrica 25€.

📍 44R7+CXF, Rabil
 📞 +238 9589726
 📧 info@quadzone-boavista.com
📱 Instagram: @quadzone_official

Ruas com memória, mesas com história

Antes dos passeios de 4×4 ou buggy, a viagem pela Boa Vista começou com um percurso a pé por Sal Rei, a atual capital da ilha. O nome vem do sal que no século XVIII, era um produto essencial para a economia da região, e foi dessa herança que a cidade herdou o nome.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Hoje, o comércio de sal deu lugar ao turismo, mas a arquitetura ainda guarda a memória colonial com as casas baixas e coloridas, ruas de calçada portuguesa, e no centro a Igreja de Santa Isabel, com fachada em tons de azul e amarelo. Foi ali perto que encontrámos o mercado que concentra bancas de roupa, onde costureiros ajustam as peças na hora, sejam saias, vestidos, tops ou calças, ao corpo de quem compra.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Chegámos à Boa Vista um dia depois da estreia de Cabo Verde no Mundial de futebol. Um empate a 0-0 com a Espanha já bastava para fazer história, naquela que foi a primeira presença do país na competição. O orgulho via-se por todo o lado, das bandeiras penduradas em varandas e portas, à camisola da seleção que muitos envergavam e até aos troncos das árvores pintados com as cores da bandeira cabo-verdiana, uma forma de celebração que fomos vendo repetir-se, jogo após jogo. Em Sal Rei, apanhámos mesmo o momento em que um tronco estava a ser pintado. A eliminação de Cabo Verde não foi vista como derrota, muito pelo contrário: as pesquisas por viagens para o arquipélago dispararam num só mês depois da estreia, e as reservas de voos para este verão subiram mais de 50%, de acordo com dados do Google Trends.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

À beira-mar, ficam as ruínas do Fortim do Duque de Bragança, construído no século XIX como defesa contra os piratas que circundavam a ilha. Apesar de já não restar muito da estrutura original, o local continua a oferecer vista sobre a baía. É ali que encontramos a Praia do Estoril, de águas calmas e pouco profundas, ao contrário de outras da ilha, mais expostas ao vento e às ondas.

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Junto à praia, avistamos o restaurante Sodade, uma homenagem à palavra saudade, um, edifício de estilo colonial que é hoje casa-museu. O ambiente acompanha a filosofia da casa. Instalado num edifício histórico recuperado e reaberto em novembro de 2021, o restaurante divide-se entre salas interiores e dois pátios exteriores, onde a música ao vivo surge com frequência ao cair da noite ou onde os empregados cantam consoante a melodia que passa nas colunas no momento. A decoração recorre a objetos antigos e a elementos tradicionais cabo-verdianos, preservando a memória de uma antiga casa senhorial da Boa Vista.

No piso de cima, o museu leva essa ideia mais longe, com oito salas que recriam uma casa típica da ilha em meados do século XIX.

A carta de jantar cruza referências cabo-verdianas e mediterrânicas, com destaque para produtos locais, como o esmoregal ao molho de laranja (1.500 ECV, cerca de 16€), um peixe abundante nas águas de Cabo Verde, parente do lírio ou o guisado de búzio à moda tradicional (1.500 ECV, cerca de 16€).

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Nas entradas, ao lado do queijo de cabra à moda da casa com anchovas (850 ECV, cerca de 9€) e do camarão salteado ao alho (1.050 ECV, cerca de 11€), surgem propostas mais contemporâneas, como o ceviche de esmoregal com lima (950 ECV, cerca de 10€), o tártaro de atum “Estravagante” (950 ECV, cerca de 10€) ou o húmus de grão-de-bico e beterraba (750 ECV, cerca de 8€).

Nos pratos principais, o mar domina. O pudim de peixe com molho de brócolos (1.550 ECV, cerca de 16€) é uma das especialidades da casa, acompanhado pelas almôndegas de atum ao molho de caril (1.350 ECV, cerca de 14€) ou pelo pescado do dia à mediterrânica (1.450 ECV, cerca de 15€). Entre as opções sem peixe surgem a parmigiana de abobrinha (1.550 ECV, cerca de 16 €), o arroz indiano Kitchari (1.100 ECV, cerca de 11€) e o frango à moda Yassa (1.450 ECV, cerca de 15€), inspirado na cozinha da África Ocidental.

Para quem reserva com antecedência, os especiais merecem atenção. A lagosta aparece em destaque, servida em linguine (1.950 ECV, cerca de 20€) ou com molho “Scabesh” e acompanhamentos (3.650 ECV, cerca de 37€). Há ainda a Catchupa, um dos pratos mais emblemáticos de Cabo Verde, disponível nas versões de legumes (1.300 ECV, cerca de 13€) ou de peixe (1.450 ECV, cerca de 15€).

Nas sobremesas, o cheesecake de calabaçeira, fruto do baobá muito utilizado na gastronomia cabo-verdiana (500 ECV / 4,50 €), partilha a carta com o banoffe de banana e caramelo (550 ECV / 5€), a mousse de chocolate com frutos vermelhos e chantilly (500 ECV / 4,50€) e o Cabrer, que junta queijo de cabra e doce de papaia (400 ECV / 3,60€).

Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Boa Vista, uma ilha que se conhece sem pressa nenhuma ao ritmo do “no stress”
Créditos: Daniela Costa

Antes de jantar, vale a pena subir as escadas até à Casa da Memória. O museu está aberto todos os dias, das 8h30 às 13h30 e das 17h30 às 21h30, com visitas privadas mediante reserva. Há áudio-guia para fazer o percurso, que tem duração de 30 minutos, enquanto visita as divisões ao som de Bau, Cesária Évora e Ildo Lobo.

Casa Museu da Memória | Sodade Casa da Cultura

📍 Avenida Amílcar Cabral, Sal Rei, Boa Vista, Cabo Verde 
📞 +238 581 22 00 | +238 991 33 36
📧 info@sodadeboavista.com
📱 Instagram: @sodade.casadacultura
🌐 www.sodadeboavista.com

🎟️ Bilhetes
• Adulto: 400 ECV (4€)
• Residente na Boa Vista: 200 ECV (2€)
• Crianças dos 6 aos 12 anos: gratuito (acompanhamento obrigatório de adulto. Não é permitida a entrada a crianças com menos de 6 anos.)

O SAPO esteve na Boa Vista a convite do grupo Barceló.


Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.