O comércio internacional atravessa um dos períodos de maior imprevisibilidade das últimas décadas. Tensões geopolíticas, protecionismo comercial, perturbações nas cadeias de abastecimento e uma economia mundial que cresce a ritmos diferenciados tornam evidente uma realidade: depender excessivamente de um número muito limitado de mercados constitui um risco que as empresas portuguesas não ignoram.
Portugal fez, nas últimas décadas, um percurso notável na internacionalização da sua economia. As exportações transformaram-se num dos principais motores do crescimento e as empresas portuguesas demonstraram uma extraordinária capacidade de adaptação e competitividade. Contudo, permanecem desafios estruturais que importa enfrentar. Um deles é precisamente a forte concentração geográfica das nossas exportações de bens, excessivamente dependentes de um conjunto restrito de mercados europeus.
Esta foi uma das mensagens centrais que a AEP voltou a transmitir ao longo da terceira edição do projeto Portugal Export +60’30: aumentar o peso das exportações na economia portuguesa exige não apenas exportar mais, mas exportar melhor, com maior valor acrescentado, empresas de maior dimensão e uma presença internacional geograficamente mais diversificada.
É neste enquadramento que Angola assume uma relevância renovada. A colaboração da AEP na realização do Fórum Empresarial Internacional, que decorreu nos dias 17 e 18 de julho em Saurimo, Lunda-Sul, e da FILDA — a maior feira internacional de negócios de Angola —, que decorre entre 21 e 26 de julho, constitui oportunidades privilegiadas para reforçar a presença das empresas portuguesas num mercado que reúne características difíceis de encontrar, em simultâneo, noutras geografias. À histórica proximidade linguística e cultural juntam-se relações empresariais consolidadas, um conhecimento mútuo dos mercados e um ambiente favorável ao desenvolvimento de novas parcerias.
A presença portuguesa nestes eventos empresariais deve, por isso, ser encarada numa perspetiva estratégica. Mais do que participar num fórum e feira internacionais, trata-se de consolidar relações de confiança, identificar novos projetos de investimento, criar redes empresariais e afirmar Portugal como um parceiro de longo prazo no desenvolvimento económico angolano.
Angola é uma economia em transformação, que aposta progressivamente na diversificação da sua base produtiva, no desenvolvimento da indústria, da agricultura, da logística, da saúde, da energia e das infraestruturas. São áreas onde Portugal dispõe de competências reconhecidas e onde as empresas nacionais podem afirmar-se como parceiros de referência, com vantagens recíprocas.
Crédito: Link de origem