Angola: greve em empresa pública de uniformes militares expõe crise laboral e denúncias de abuso de poder
Em Angola, os trabalhadores da indústria pública de calçados e uniformes militares iniciaram uma greve interpolada de 15 dias motivada pelo impasse nas negociações com a tutela. A paralisação ocorre após quase quatro meses de reivindicações por melhorias salariais e de condições de trabalho
A unidade fabril tutelada pelo Ministério angolano da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria não responde, desde junho deste ano, ao caderno reivindicativo submetido pelos trabalhadores, denuncia o sindicato.
Laurinda João, uma das responsáveis pelo Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Fabril de Calçados e Uniformes (EFCU-EP), sublinha que a paralisação iniciada, na passada sexta-feira, 4 de setembro, será de duas semanas, tendo como foco a melhoria salarial e as condições de trabalho, assim como a recusa da entidade patronal em abrir espaço para as negociações e abuso de poder.
“O braço de ferro vem da parte do empregador, mas nós, trabalhadores, também não vamos ceder até que os nossos problemas sejam resolvidos. Queremos lembrar que o que nos leva a reivindicar são os baixos salários, as más condições de trabalho e o facto de não recebermos nenhum subsídio, visto que trabalhamos com produtos químicos”, explicou.
A sindicalista lamenta que a tutela ignore as reivindicações dos operários da EFCU-EP, mesmo sabendo dos riscos diários a que os trabalhadores estão expostos, em virtude do contacto direto com produtos químicos na empresa.
“As nossas vidas são submetidas a riscos todos os dias. Da nossa saúde, nem se fala. Sendo uma empresa pública (EP), não paga nenhum subsídio de risco, nem nenhum outro subsídio aos trabalhadores. Então, isso tornou-se desgastante para nós. Estamos cansados de viver nesta situação, recebendo apenas um salário básico que não serve para suprir as nossas necessidades. Razão pela qual resistiremos até que o problema se resolva. Estamos abertos ao diálogo”, advertiu Laurinda João.
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