AD1213: Os Guineenses apoiam o livre comércio e uma maior voz africana nos organismos internacionais de tomada de decisão – Afrobarometer

A Guiné-Bissau tem uma longa história de apoio à cooperação regional e integração  africana, refletida no seu envolvimento com a Comunidade Económica dos Estados da  África Ocidental (CEDEAO) e com a União Africana. O país tem buscado a cooperação  regional como um instrumento para impulsionar o comércio, reforçar a segurança e  fomentar o desenvolvimento económico (Comissão da CEDEAO, 2024). 

Na prática, contudo, a integração da Guiné-Bissau na economia regional e global  permanece limitada. A economia do país continua fortemente dependente da exportação  de castanha de caju como principal produto de exportação. Este padrão, associado à  reduzida capacidade industrial e ao limitado capital produtivo, restringe a capacidade do  país de beneficiar plenamente das oportunidades proporcionadas pelos acordos  comerciais regionais e globais (Lopes, 2019; Banco Mundial, 2025; Comissão Econômica das  Nações Unidas para a África, 2025). 

No plano da política externa, a Guiné-Bissau procura reforçar a sua inserção regional e  diversificar as suas parcerias internacionais. A participação do país na CEDEAO e o  compromisso com a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana  (ZCLCA) refletem esta estratégia de integração económica e política no continente  africana. Paralelamente, o país mantém relações de cooperação com diversos parceiros  bilaterais e multilaterais. A China tem reforçado a sua presença através do financiamento  de infraestruturas e projetos de desenvolvimento, enquanto os Estados Unidos concentram o  seu apoio em áreas como a governação, a segurança e o fortalecimento institucional. A  União Europeia continua a ser um dos principais parceiros de desenvolvimento da Guiné Bissau, apoiando setores como a governação, a agricultura, as pescas e o reforço das  instituições públicas. Instituições multilaterais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário  Internacional e as agências das Nações Unidas desempenham igualmente um papel  importante no financiamento do desenvolvimento e no apoio às reformas económicas e  institucionais (Banco Mundial, 2025). 

A adesão da Guiné-Bissau à ZCLCA reforça o compromisso do país com a integração  económica continental. Embora o acordo ofereça oportunidades para expandir o  comércio intra-africano e promover a diversificação económica, os seus benefícios  dependerão da implementação de reformas estruturais que reforcem a competitividade  da economia nacional. Ao mesmo tempo, a forte dependência do financiamento externo  e de um número reduzido de produtos de exportação continua a aumentar a  vulnerabilidade da economia a choques externos e a limitar as perspetivas de crescimento  sustentável (Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, 2025).  

Os resultados do mais recente inquérito do Afrobarometer mostram que os Guineenses têm  uma visão positiva do envolvimento internacional do país, embora as opiniões estejam divididas sobre se a CEDEAO e a União Africana representam bem os seus interesses. A  maioria defende maior influência dos países africanos nos organismos internacionais de  tomada de decisão, como as Nações Unidas. 

A maioria dos Guineenses mostra-se favoráveis ao comércio internacional livre e, caso o  governo facilite o comércio com outros países, também prefere relações comerciais  abertas com todos os países do mundo, em vez de restringi-las apenas a África. Contudo, o  conhecimento público sobre a ZCLCA permanece baixo. 

Em geral, os cidadãos avaliam de forma positiva a influência econômica e política da  China, de Portugal, da Rússia e da União Europeia, no país. 

Entre os que conhecem o conflito Rússia–Ucrânia, a maioria prefere que a Guiné-Bissau  mantenha uma posição neutra. 

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