“A moto me deu liberdade, amizades e histórias para a vida inteira”

Como começou sua relação com as motos customizadas e o que elas representam hoje na sua vida?

Eu sempre gostei de motos custom. Minha primeira veio por volta de 2002 e, desde então, isso virou parte da minha rotina e da minha identidade. Hoje tenho uma Harley Davidson e uma Yamaha Dragstar, motos que representam muito mais do que um veículo. Para mim, andar de moto é sinônimo de liberdade, de pegar a estrada, conhecer lugares, viver experiências e criar histórias. É um estilo de vida que também aproxima pessoas e cria amizades verdadeiras.

Quais experiências mais marcaram suas viagens de moto ao longo desses anos?

Já vivi muitas histórias na estrada. Fiz viagens de mais de 3 mil quilômetros e normalmente a gente roda entre 700 e 800 quilômetros por dia. O máximo que já percorri em um único dia foi mil quilômetros. Minha esposa costuma me acompanhar em várias dessas viagens, inclusive para outros estados, como Mato Grosso do Sul. Claro que também existem imprevistos. Uma vez a moto estragou quando eu estava a mais de 600 quilômetros de casa. Nessas horas a gente percebe como é importante ter seguro e também contar com a ajuda de outros motociclistas.

Existe realmente essa irmandade entre os motociclistas?

Existe muito, principalmente entre quem vive esse universo das motos custom. A gente costuma dizer que é uma irmandade. Se um motociclista vê outro parado na estrada, normalmente para ajudar. Tem até sinais que todo mundo conhece, como deixar o capacete no chão para indicar problema. Isso cria uma conexão muito forte entre as pessoas. Além das motos, muitos acabam compartilhando também a paixão pelo rock and roll, pelos encontros e pela convivência.

Como surgiu sua ligação com o Moto Rock e qual é o objetivo da ONG?

O Moto Rock surgiu em 2014 com a ideia de fortalecer a cena musical da região e dar espaço para bandas locais mostrarem seu trabalho. Apesar de ter integrantes motociclistas, não é um grupo voltado apenas para motos. O foco sempre foi a música e a cultura do rock. A gente procura organizar eventos e criar oportunidades para bandas do Vale do Taquari crescerem, ganharem visibilidade e circularem pela região e pelo estado.

O evento também acompanha esse crescimento da cultura motociclista e do rock na região?

Com certeza. Nosso evento começou em 2014 e cresceu muito ao longo dos anos. Hoje é um negócio gigante, com apoio da prefeitura, de entidades, motociclistas de várias partes do Brasil e uma expectativa de público entre 28 mil e 30 mil pessoas. O mais interessante é que o evento deixou de ser apenas sobre motos. Hoje reúne também carros antigos, campistas, Kombis, motorhomes e famílias inteiras. É um espaço de convivência, música, amizade e troca de experiências, que representa muito esse estilo de vida que une estrada e rock and roll.


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