Brasil desponta como oportunidade no comércio global

O comércio global foi convulsionado pelo tarifaço americano e, mesmo depois de a Suprema Corte ter declarado a ilegalidade de boa parte das tarifas, elas estão em patamar equivalente a mais que o dobro das praticadas antes da posse de Donald Trump. Os efeitos globais do redesenho das relações comerciais já se fazem sentir. No ano passado, as trocas entre Estados Unidos e China caíram 30%, e a geopolítica ganhou peso na definição de exportações e importações. É um alento que, nesse cenário ainda incerto, o Brasil desponte como uma das maiores oportunidades, de acordo com análise do McKinsey Global Institute.

O estudo “Geopolítica e a geometria do comércio global 2026” destaca o papel brasileiro ao expandir as vendas de commodities de forma significativa para a China e ao aumentar as exportações de manufaturados para outros países da América Latina. No ano passado, o Brasil atendeu a três quartos das importações de soja do mercado chinês. O crescimento das exportações agrícolas na comparação com o ano anterior foi de 13%, chegando a US$ 5 bilhões. Aumentou também o envio de minério de ferro e petróleo.

Em manufaturados, as principais altas ocorreram em razão das exportações de veículos, em especial para o mercado argentino. “Argentina, Peru e Chile também aumentaram as compras de máquinas brasileiras, especialmente para os setores de construção e recursos naturais. Isso sugere espaço para maior comércio de produtos manufaturados na América Latina”, diz o estudo. Considerando que os manufaturados tinham nos Estados Unidos um de seus principais destinos e sofreram com o tarifaço, o ano de 2025 não chegou a ser traumático como o imaginado inicialmente.

Um dos motores de crescimento do comércio global, segundo o estudo, tem sido a venda de itens ligados à revolução da inteligência artificial (IA). As exportações de semicondutores e equipamentos para data centers representaram um terço do aumento das trocas globais. Esse é um setor dominado por Taiwan, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático, e o principal mercado é o americano. Com energia abundante e limpa, a melhor aposta brasileira é tentar atrair investimentos na construção de centros de processamento de dados.

O estudo traçou uma linha para ajudar a visualizar onde as principais economias globais se encontram em termos geopolíticos, com os Estados Unidos num extremo e a China no outro. A metodologia usada para determinar o lugar dos países leva em conta a votação em assembleias das Nações Unidas entre 2005 e 2022. Canadá, Alemanha, Japão e Coreia do Sul estão ligados aos americanos. Do outro lado, Irã, Rússia, Indonésia, Índia e África do Sul são os mais próximos da China. O único país em posição equidistante entre os dois polos é o Brasil.

Esse histórico da diplomacia brasileira tem se provado uma decisão sensata. Infelizmente, o governo Luiz Inácio Lula da Silva nem sempre tem sabido manter essa postura e, recentemente, tem adotado oposição quase sistemática aos americanos. Se o Itamaraty souber recobrar seu equilíbrio histórico, a economia brasileira manterá um capital político capaz de explorar oportunidades em qualquer lugar, sem alinhamentos preestabelecidos e sempre em busca do interesse nacional.

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