Paulo Rangel, sem responder se o conflito é legítimo ou ilegítimo, referiu ainda que este “tem contornos que o tornam, sobre o ponto de vista dos vários valores internacionais, um conflito difícil”. Além disso, considerou que o “Irão é, de facto, uma ameaça”.
“Ficou comprovado logo no rebentar do conflito”, declarou, recordando que a primeira reação de Teerão “não foi responder apenas àqueles que desencadearam o ataque”, mas atacar os países vizinhos.
“Isto mostra a ameaça que representa o regime do Irão”, repetiu, acusando o Governo iraniano de tentar uma “escalada do conflito para uma outra dimensão”.
“Navegação no Estreito de Ormuz é fundamental”
Para Portugal, “que não subscreve este conflito” nem o “ataque que o desencadeou”, interessa que se alcance um “cessar-fogo duradouro, que leve de facto a criar condições para uma negociação de uma paz que as duas partes possam aceitar, e que possa depois inaugurar um novo capítulo na região também”.
Questionado se considera que o mundo está mais volátil, mais incerto, desde que começou o conflito, Rangel voltou a sublinhar que o Governo português não apoia ou subscreve o conflito. Ainda assim, e “apesar do perigo que representa o regime do Irão”, Portugal considera que “os termos em que começou este conflito não iriam necessariamente resolver a situação”.
Admitindo o “trabalho diplomático muito intenso”, incluindo com as autoridades turcas no Paquistão, o ministro disse estar “expectante” quanto ao alcance de um acordo entre as partes.
“A liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é fundamental”, afirmou.
Sobre a sucessão na liderança do Regime do Irão, Rangel admitiu não se surpreender. E quanto ao apoio aos Estados Unidos, não rejeitou que pode não ser incondicional.
Paulo Rangel acredita que a utilização que os Estados Unidos estão a fazer da base das lajes é ínfima e pouco relevante.
“Está a banalizar-se a greve geral”
“A última greve geral não teve, ao contrário do que foi dito, a expressão que se disse”, disse o ministro, acrescentando que “fazer reformas em Portugal é um grande desafio”.
“A proteção dos trabalhadores passa por um quadro mais flexível”.
Segundo Rangel, o Governo “não quer maltratar os trabalhadores”. E os “sindicatos representam 8 por cento dos trabalhadores”, mesmo assim, o executivo quer “muito que os sindicatos se envolvam nas negociações, porque representam, como mediadores, mais do que essa percentagem”.
Nas palavras do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, “está a banalizar-se a greve geral”. Banalização, segundo explicou, por estar a ser proposta por “motivos que não a justificam”.
Reconheceu, contudo, o direito “legítimo” de se fazer greve geral, sem deixar de advertir que “não pode ser utilizada de qualquer maneira”.
“Pode parecer estranho, mas estou aqui a defender, na nossa sociedade, o papel dos mediadores”.
O Governo, esclareceu, encara o pacote laboral “com uma grande seriedade”.
“Nós não estamos a governar para amanhã”, declarou. “O Governo está a governar para os próximos anos, para o médio prazo. E, sinceramente, isso exige uma grande responsabilidade e uma grande ousadia”.
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