O pacote legislativo sobre as línguas de Angola “é inclusivo” e reconhece a língua portuguesa, as línguas angolanas de origem africana, a língua gestual angolana e o sistema braile como línguas do país africano, disse hoje fonte oficial.
“É preciso que adotemos uma política linguística de inclusão, significa que reconhecemos como línguas de Angola a língua portuguesa, que é uma língua angolana de origem europeia, temos as línguas angolanas de origem africana, temos a língua gestual angolana e o sistema de braile”, afirmou hoje o diretor do Instituto de Línguas Nacional de Angola (ILNA), João Pedro.
O pacote legislativo sobre as línguas de Angola, que estabelece “equidade” entre as línguas faladas no país, foi elaborado pelo Ministério da Cultura e está já em sede do Conselho de Ministros.
Segundo o responsável, hoje a língua portuguesa e as línguas angolanas coabitam no mesmo espaço e o importante é que seja adotada “uma política linguística que tenha em conta a presença de todas essas línguas, que não haja línguas hegemónicas”.
“É importante que todas elas participem do desenvolvimento de Angola”, salientou.
Em declarações no âmbito do Colóquio Internacional sobre Metodologias para o Tratamento de Línguas Ágrafas (sem representação gráfica padronizada), que se iniciou hoje em Luanda, o diretor do ILNA recordou que a língua portuguesa é a única língua oficial em Angola, apontando para a necessidade de as línguas angolanas terem o mesmo estatuto.
“Uma maioria defende que devemos ter algumas línguas de origem africana como co-oficias, no mínimo”, afirmou, observando que a Constituição da República de Angola reconhece a língua portuguesa como língua oficial, “mas também reconhece as línguas angolanas de origem africana”.
João Pedro destacou também a importância do pacote legislativo, no quadro da política linguística de inclusão, referindo que o diploma legal preconiza a coabitação da língua portuguesa com as línguas angolanas de origem africana.
Justificou que a inclusão do sistema braile no pacote das línguas de Angola resulta de reclamações justas de angolanos portadores de deficiência que se sentiam marginalizados.
A língua oficial da República de Angola é o português. O Estado valoriza e promove o estudo, o ensino e a utilização das demais línguas de Angola, bem como das principais línguas de comunicação internacional, refere o artigo 19.º da Constituição.
O Colóquio Internacional sobre Metodologias para o Tratamento de Línguas Ágrafas é promovido pelo Ministério da Cultura e pelo ILNA no âmbito do Dia Internacional da Língua Materna e termina na quinta-feira.
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