Leão XIV sublinha necessidade de «reconstruir a vida quer das vítimas, quer dos culpados, quer das comunidades feridas»
Bata, Guiné Equatorial, 22 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa defendeu hoje que o sistema de justiça deve investir na dignidade e nas potencialidades da pessoa, falando durante uma visita à Prisão de Bata, na Guiné Equatorial.
“A verdadeira justiça procura não tanto punir, mas sobretudo ajudar a reconstruir a vida quer das vítimas, quer dos culpados, quer das comunidades feridas pelo mal”, afirmou Leão XIV, perante a comunidade prisional.
“Não há justiça sem reconciliação”, acrescentou, durante um encontro que decorreu no pátio interior da prisão.
O Papa pediu que as instituições prisionais ofereçam oportunidades concretas de reintegração, desejando que se faça todo o possível para garantir acesso ao estudo e ao trabalho digno durante o cumprimento das penas.
“A vida não é determinada apenas pelos erros cometidos, que geralmente são resultado de circunstâncias duras e complexas: existe sempre a oportunidade de se reerguer, de aprender e de se tornar uma pessoa nova”, sublinhou.
O Papa realçou que “ninguém é excluído do amor de Deus”.
A visita à prisão, num país governado há 47 anos pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ganha maior simbolismo perante denuncias de organizações internacionais que documentam um histórico de abusos e métodos de tortura no sistema penal do país africano.
“Deus nunca vos abandonará e a Igreja estará ao vosso lado”, disse Leão XIV, a centenas de reclusos presentes no encontro.
“A administração da justiça tem por objetivo proteger a sociedade, mas, para ser eficaz, deve sempre investir na dignidade e nas potencialidades de cada pessoa”, acrescentou.
Antes do seu discurso, Leão XIV referiu-se à forte chuva que se fez sentir e disse que é uma “bênção de Deus”.
A intervenção do Papa foi precedida pelo testemunho do capelão prisional e de um recluso, que reconheceu os erros cometidos.
“Embora as nossas mãos tenham feito coisas más no passado, o nosso coração ainda sonha em fazer o bem”, referiu o recluso, agradecendo ao Papa por os procurar num lugar onde muitos pensavam que ninguém iria.
O administrador da prisão também discursou, reforçando o compromisso da instituição em aliar a segurança a processos de “reabilitação”.
A visita ficou ainda marcada pela oferta de uma cruz de madeira, feita pelos próprios reclusos, ao pontífice.
À chegada à prisão, o Papa tinha sido recebido pelo ministro da Justiça do país, Reginaldo Biyogo Mba Ndong Anguesomo.

No trajeto desde o aeroporto, Leão XIV fez uma breve paragem na Catedral de São Tiago e de Nossa Senhora do Pilar, para um momento de oração.
A passagem pela cidade costeira de Bata prossegue com uma homenagem junto ao monumento comemorativo das vítimas das explosões de 7 de março de 2021.
A tragédia no quartel militar de Nkoantoma causou 107 mortos e mais de 600 feridos devido à detonação negligente de explosivos.
A primeira viagem apostólica de Leão XIV a África, que se iniciou a 13 de abril e incluiu passagens pela Argélia, Camarões e Angola, termina esta quinta-feira com uma Missa no Estádio de Malabo, antes do voo de regresso a Roma.
OC
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