Camarões/Guiné Equatorial: Núncio apostólico destaca impacto de passagem do Papa por «zona de guerra» e periferias – Agência ECCLESIA

D. José Avelino Bettencourt fala em «mais disponibilidade para o diálogo» perante conflito que se arrasta há uma década em território camaronês

Iaundé, 11 abr 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico nos Camarões e Guiné Equatorial adianta que a passagem do Papa pela “zona de guerra” de Bamenda, no território camaronês, vai ser marcada por gestos de paz.

“Vai encontrar-se com as autoridades civis, tradicionais, e vai ouvir testemunhos dos sofrimentos da população. Vai deixar a sua mensagem e todos vão fazer juntos um gesto em favor da paz”, disse D. José Avelino Bettencourt à Agência ECCLESIA.

O responsável diplomático, nascido nos Açores, sublinha que na passagem pelos dois países africanos, Leão XIV “vai visitar uma prisão, vai visitar uma zona de guerra, vai visitar hospitais, vai visitar asilos de crianças órfãs”.

“Ele dá-se completamente, a 100%, para servir e está disposto a sacrificar-se”, indica o entrevistado, reconhecendo a exigência da terceira viagem internacional do atual pontificado, entre 13 e 23 de abril, que passa ainda pela Argélia e por Angola.

O roteiro oficial inclui a cidade de Bamenda, nos Camarões, um território anglófono marcado por confrontos armados há quase uma década.

“Eu recordo-me muito bem da primeira vez que fui lá, debaixo de muita proteção militar: ouviam-se os disparos toda a noite. Ao longo destes anos que tenho estado aqui, já lá fui doze vezes e nota-se uma diferença, está muito mais calmo e há uma mudança de tom, mais disponibilidade para o diálogo”, relata.

O representante diplomático enquadrou o início da deslocação internacional no contexto da ligação histórica e espiritual do atual Papa ao continente africano.

“O Papa Leão XIV é membro da Ordem Religiosa Agostiniana. Santo Agostinho é um dos grandes santos da Igreja, escritores de todo o tempo, e nasceu na África. E, assim, ele sente-se um pouco como um filho espiritual de Santo Agostinho, e um filho espiritual na África”, precisa.

A presença em países caracterizados por uma forte diversidade cultural – apenas os Camarões contabilizam mais de 250 etnias – expõe também a vitalidade institucional das comunidades católicas locais.

“A Igreja não está sentada com os braços cruzados; está proativa e está muito ativa no terreno. Nós aqui, em todos estes países, temos escolas, temos hospitais, temos centros de assistência social”, relata.

Segundo o núncio apostólico, o povo camaronês tem-se reunido em vigílias de oração para preparar a chegada do pontífice, registando-se já no terreno a presença do “papamóvel” e das delegações preparatórias para as celebrações.

“É uma das primeiras viagens que ele quer fazer, vir aqui à África, para estar com o seu povo e dar-lhe essa mensagem de esperança e de caridade”, conclui D. José Avelino Bettencourt.

OC

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