Nas suas obras revela Angola em seus vários prismas

Filinto Elísio

Ao tempo em que se cogita processo de candidatura do Semba como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, faz mais sentido falarmos sobre o escritor angolano Albino Carlos que publicou o seu mais recente livro “História da Música Angolana”, um estudo sociológico que cruza música, identidade e memória. Uma verdadeira enciclopédia.

Albino Carlos é natural do então município do Rangel (atual distrito), onde nasceu há mais de 60 anos, na famosa “Rua do Povo”, província de Luanda, tendo-se tornado uma figura marcante da intelectualidade angolana contemporânea,

“História da Música Angolana”, que já foi lançado em Lisboa e Luanda, surge da necessidade de reforçar a bibliografia nacional sobre a música de Angola, uma área ainda pouco explorada no meio académico interno, sendo grande parte dos estudos desenvolvidos por investigadores estrangeiros.

O livro procura, assim, valorizar a produção científica nacional e reconhecer o papel dos músicos como agentes culturais e históricos. O autor defende que o sentimento de pertença angolano está profundamente ligado às suas canções e tradições musicais.

Ao longo desta obra, Albino Carlos percorre diferentes dimensões da cultura angolana, desde a poesia tradicional e o cancioneiro popular até à análise de géneros como o Semba e o Kuduro, destacando também músicas que marcaram diferentes períodos da história do país.

O trabalho aborda igualmente o papel da canção política na luta de libertação nacional, a contribuição da música na emancipação das mulheres e as vozes da diáspora, refletindo igualmente sobre as línguas nacionais e a música infantil.

De igual modo, a obra integra ainda uma recolha de mais de 200 letras de canções tradicionais e modernas, em várias línguas, com temáticas que vão do imaginário mítico à realidade social, política e económica de Angola.

Editado pela Oficina da Escrita, o livro conta com 412 páginas e resulta de cerca de duas décadas de investigação. A obra integra ainda uma trilogia dedicada ao fenómeno musical angolano, da qual fazem parte os títulos “Semba” e “Muxima Luanda”, ainda por publicar.

Publicou “A balada dos homens” (Antologia 2012). Ao longo da sua carreira, foi distinguido com vários prémios, entre os quais o Prémio Nacional de Literatura (2014), com a obra “Issunje”, palavra da língua quimbundo que significa coisas obscuras, e o Prémio António Jacinto (2006), com o romance “Olhar de Lua Cheia”.

Em 2019, recebeu o Globo de Ouro Angola com a obra “Caça às Bruxas”. Em 2023, no quadro da 3.ª edição da Bienal de Luanda, lançou uma coletânea de contos intitulado “Os funerais de Manguituka, o terrível bandido & outros mambos”.

Doutor em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro da Academia Angolana de Letras, da União dos Escritores Angolanos e da Entidade de Regulação da Comunicação Social Angolana (ERCA), atuou por mais de trinta anos. Foi também Diretor Nacional de Publicidade e Marketing do Ministério da Comunicação Social.

Albino Carlos é docente da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, licenciado e mestrando em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Exerceu recentemente funções diplomáticas como ministro conselheiro na Embaixada de Angola na Sérvia. Antes, servira como Adido de Imprensa e cultura da Embaixada de Angola no Canadá.

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