A indústria de laticínios do Uruguai registrou seu melhor desempenho para um primeiro semestre em 2026, segundo o Instituto Nacional do Leite (INALE) do país. As entregas às unidades de processamento alcançaram 1,025 bilhão de litros entre janeiro e junho, enquanto somente em junho a produção atingiu o recorde mensal de 196 milhões de litros. O resultado veio após um 2025 recorde, quando as entregas totalizaram 2,212 bilhões de litros, volume 8,4% superior ao registrado em 2024.
As vendas externas continuam sendo fundamentais para o setor. Cerca de três quartos da produção uruguaia de leite são exportados na forma de leite em pó, queijo ou manteiga. As exportações de laticínios somaram aproximadamente US$ 965 milhões em 2025, aumento anual de 13%. Em julho de 2026, as vendas ao exterior alcançaram US$ 95 milhões, resultado 31% superior ao do mesmo mês de 2025, colocando os laticínios como o terceiro maior complexo exportador do Uruguai, atrás da carne bovina e da celulose.
Brasil e Argélia foram os principais destinos em 2025, recebendo conjuntamente mais de 60% das exportações uruguaias de laticínios. A importância desses mercados também ficou evidente em julho de 2026, quando os dois países responderam por aproximadamente metade de todas as vendas externas do setor. O leite integral em pó representou cerca de dois terços da produção industrial de laticínios do país.
O crescimento dos volumes coincidiu com a redução da base produtiva. O número de propriedades leiteiras caiu de aproximadamente 3.900 no exercício de 2015/16 para 2.978 em 2023/24. A quantidade de produtores que entregavam leite diretamente às indústrias diminuiu de 2.699 em 2017 para 2.135 em 2024. A área destinada à pecuária leiteira recuou de cerca de 827 mil hectares para 623 mil hectares, enquanto o rebanho leiteiro caiu de 767 mil para 688 mil cabeças de gado.
A produção por vaca aumentou de 4.768 litros anuais para 5.825 litros no período, avanço de 22%. O volume médio diário entregue por cada fornecedor passou de aproximadamente 2 mil litros para 2,6 mil litros. A fonte atribui essas mudanças entre os produtores que permaneceram na atividade ao aumento da escala das operações e aos investimentos em genética, alimentação, gestão das propriedades, tecnologia e administração.
O processamento também é concentrado. Conaprole, Estancias del Lago, Lactalis e Alimentos Fray Bentos recebem aproximadamente 91% do leite entregue à indústria de processamento uruguaia. As cooperativas respondem por cerca de três quartos da captação.
Os preços pagos aos produtores e a estrutura das propriedades também mudaram paralelamente aos recordes de produção. Em junho, os produtores receberam, em média, US$ 0,169 por litro, valor 5% inferior ao registrado um ano antes, enquanto o poder de compra do setor ficou 21% abaixo de seu nível de referência. O número de propriedades com até 50 hectares caiu de 966 para 711 ao longo de sete exercícios, inclusive em departamentos produtores de leite como Colônia, Florida e San José.
Fonte: DairyNews.today.
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